5 dias atrás
13 Abril, 2012
Dança Macabra, ou "ahhh, o terror!"
Id, Ego e Superego estariam representados inclusive na figura da casa e da porta por onde o Mr. Hide sai. Ele comenta que até Psicose, do Hitchcock se encaixa como um "conto de lobisomem" com o mérito de ter trazido o "monstro" pra vida cotidiana, alguém normal como nós. Até o momento da escrita do livro pelo menos, a atuação em um filme baseado nesse livro tinha rendido o primeiro e único Oscar de melhor ator pra uma atuação em filme de terror.
01 Abril, 2012
Meus flertes com um novo tipo de heresia
A "Hora do Planeta", em Atenas
Quando escreveram sobre o Ofício do Sociólogo, Pierre Bourdieu e Jean-Claude Chamboredon conseguiram expor, de forma bastante eloquente, a necessidade da Sociologia superar o senso comum, e principalmente o senso comum sociológico. Essa tarefa é mais fácil em alguns casos, e praticamente impossível em outros. Certos assuntos são protegidos ou por uma falta de conhecimento generalizada - é difícil questionar o que não se conhece, afinal! -, ou por estarem muito protegidos por uma aura ideológica que, por definição, proíbe certos tipos de questionamentos, para evitar qualquer ataque à sua lógica interna.
Esse tipo de interdição do questionamento parece ser fundamentalmente relacionado com formas de conhecimento não-modernas (religião, por exemplo). A Ciência e as discussões políticas embasadas nela seriam, em um primeiro momento, muito mais abertas ao escrutínio e discussão sistemáticos, pois o ceticismo seria um pressuposto de sua construção. Na prática, eu creio, a conversa é outra.
O ecologismo e o ambientalismo, e as ações políticas e coletivas decorrentes deles, me parecem ser (apesar de declarações em contrário) especialmente habilidosos em jogar com modalidades não-modernas e não-científicas de construção de consensos. Os elementos morais envolvidos na ciência do aquecimento global, por exemplo, são tão visíveis que chegam a ser descarados: em certos círculos é melhor não questionar o consenso em torno do aquecimento global, sob pena de ser submetido à um doutrinamento bastante eloquente sobre a destruição apocalíptica da terra e o papel do homem em evitá-la!
(não que eu defenda o predomínio completo da Ciência e da racionalidade na vida cotidiana; o meu problema é o evidente paradoxo de um ramo do conhecimento advogar para si a neutralidade da Ciência e, ao mesmo tempo, ser tão abertamente ilógico, sectário e sustentado em auto-referências).
As semelhanças entre algumas religiões e o ecologismo de ocasião são abundantes. O elemento apocalíptico e as noções de causalidade e culpabilidade que apontam para os desastres como resultado direto de alguma violação comportamental do Homem são as facetas mais filosóficas da coisa toda. Mas o fenômeno tem também sua dimensão prática, construída silenciosamente, sem muita gente perceber!
A “Hora do Planeta” e a Sexta-feira Santa são para mim dois exemplos do mesmo fenômeno: ambos tem a função manifesta de reafirmar a adesão à certas crenças, e a função latente de reforçar a coesão social. São ritos que são conduzidos no piloto automático, muito mais como uma série de ações pré-determinadas e imprescindíveis, conduzidas de forma litúrgica, do que como uma oportunidade de reflexão verdadeira sobre os pressupostos do dia sacro-santo. Curiosamente, do meu ponto de vista agnóstico, os sermões religiosos relacionados à Páscoa parecem ter muito mais de reflexividade do que ações como a famigerada “Hora do Planeta”. (ponto para os cristãos!)
A “Hora do Planeta” baseia-se na premissa de que o ato de desligar a iluminação de monumentos e prédios públicos e de residências, durante uma hora, uma vez por ano, é um ato significativo para a conscientização sobre os problemas do uso de combustíveis fósseis (não cabe aqui discutir a total impossibilidade que seria analisar os irrisórios efeitos práticos diretos de tal ato). Do ponto de vista da coerência interna, é totalmente válido e relacionado com o “estilo de pensamento” postulante. Aliás, é o correlato funcional do ato de não comer carne na Sexta-feira Santa, para lembrar do martírio de Cristo - é um ato simbólico, com uma função doutrinária bem clara. Nesse aspecto, como não-praticamente tolerante, eu deveria me ater ao meu ceticismo e deixar cada um agir como melhor lhe aprouver.
O problema é que os ecologismos e ambientalismos são muito mais poupados do escrutínio sistematizado do que as religiões (apesar de serem, na minha opinião, assemelhados, como se fossem parentes distantes). Apesar de uma quantidade considerável de trabalhos sociológicos sobre o tema, ainda é muito difícil ultrapassar o senso comum (e o senso comum sociológico). Assim, iniciativas como a “Hora do Planeta” são vistas (mesmo pelos supostamente esclarecidos praticantes das Ciências Sociais) como ações positivas ou, na pior das hipóteses, como algo a ser ignorado. A capacidade de análise crítica sobre o tema parece ser inversamente proporcional ao apelo e penetração atual do tema em diferentes espaços sociais.
A “Hora do Planeta”, como o próprio nome indica, só é possível em um contexto de globalização - ou seja, a noção da existência de problemas globais e da necessidade de ações globais só é possível em uma sociedade que oferece as condições tecnológicas e institucionais para isso: sem as tecnologias de comunicação e as instituições e organismos “transnacionais” não existiria a noção de problema ecológico global. Não sou exatamente especialista em “globalização”, mas sei que o fenômeno tem consequências práticas, muitas delas negativas, que sequer são problematizadas em ocasiões como a “Hora do Planeta”.
Vejamos: a noção do risco de aquecimento global, quando interpretada superficialmente, dá conta que os riscos seriam divididos de modo indistinto, como se todos os povos e nações fossem igualmente afetados e, portanto, como se todos fossem igualmente responsáveis pelos efeitos negativos passados decorrentes da exploração indevida dos recursos naturais e, em especial, pela mitigação futura dos problemas e desastres relacionados. De fato, os riscos são sempre distribuídos desigualmente e os países e comunidades pobres são frequentemente mais vulneráveis ao risco. No entanto, essas nações e comunidades vulneráveis dificilmente são aquelas que contribuíram de forma direta para a produção dos riscos: um país sub-desenvolvido provavelmente possui, em toda sua história, uma pegada de carbono muito menor do que um país desenvolvido.
Assim, para além da percepção da distribuição “global” dos riscos, se procede uma incorreta distribuição da causalidade (e, portanto, culpabilidade) dos riscos. O movimento retórico é sutil, mas não é desprezável: ao pedir que todos apaguem as luzes, estamos responsabilizando em igual medida e critérios países tão distintos quanto os Estados Unidos e Angola! O “apagar das luzes” pode ser simbólico, mas a mensagem que ele passa e a cultura que ele ajuda a sustentar é absolutamente assimétrica em sua prescrição: retoricamente, exige-se dos países menos industrializados um comportamento de mitigação que os países industrializados historicamente nunca tiveram!
Isso não significa negar a “realidade” dos fenômenos de aquecimento global e similares, mas problematizar a política por detrás da percepção existente sobre eles; sobretudo, é bom lembrar que os países mais pobres são justamente aqueles que tem menos condições de lidar com os potenciais efeitos do aquecimento global, tal qual ele é entendido atualmente. Existem momentos, no entanto, que uma concepção globalizada sobre os problemas ambientais pode ser contra-produtiva. O caráter ritualístico de apagar as luzes na “Hora do Planeta” é essencialmente fetichista, sem função prática direta. Por conta disso, ele pode funcionar como uma “politização desmobilizante”: apagar as luzes torna-se um fim em si mesmo, um ato que tem início e fim demarcados e pouca conexão com o fato gerador da ação. Apagadas as luzes, os cidadãos globais lidam com o problema, para imediatamente esquecê-lo (assim como acontece com a interdição do consumo de carne na Sexta-feira Santa). Ao contrário de manifestações políticas mais tradicionais e diretas (das greves às passeatas nas ruas), onde os posicionamentos políticos são demarcados e os posicionamentos ativamente definidos, as ações como a “Hora do Planeta” esvaziam o tema de qualquer antagonismo ou conflito - o que sobra, a exemplo dos fenômenos religiosos - é uma noção de solidariedade, que em muitos casos escamoteia as tensões decorrentes da vida política. Mais do que isso, o ritual de expiação do apagar anual de luzes dá uma impressão (na maior parte dos casos, eu suponho, falsa) de comprometimento. Ao politizarmos o tema desse modo específico, estamos na verdade esvaziando seu significado: paradoxalmente, ao apagar as luzes, todos nos responsabilizamos, mas em ninguém recai a culpa.
A atribuição de culpa, fenômeno humano tão universal (Mary Douglas que me corrija), fica reservada então para a dissidência. Não agir ecologicamente hoje significa, inevitavelmente, comprometer o futuro comum. Por isso, a adesão aos cânones do ecologismo normalmente não permite muito questionamento e interpretações divergentes. É claro que o ecologista e o estudioso possuem um repertório conceitual suficientemente elaborado e amplo para expandir e até mesmo suspender a crença nos limites conceituais de sua atividade, como é esperado em uma discussão produtiva em um contexto democrático. Mas o leigo sempre vai ter acesso à versão mais estável e, portanto, mais conservadora da teoria científica. Isso, aliado aos espetáculos midiáticos como a “Hora do Planeta” produzem uma ignorância involuntária, cujos efeitos podem os mais curiosos: admita, não é preciso procurar muito para encontrar alguém que apague as luzes conforme o pedido da WWF, mas que insista em sair de carro para comprar pão! Ou pior: não são raros os indivíduos que aderem à causas globais e são completamente alheios à causas locais, ecológicas ou não, que o afetam diretamente (num desacoplamento entre tempo/espaço característicos da modernidade e suas consequências como - vejam só! - a globalização! Não é, Giddens?).
Para todos aqueles que se consideram pessoas ecologicamente conscientes, meu pedido de desculpas pelas profanidades expostas acima. Sim, eu sou um herege. Mea culpa, mea maxima culpa. Acontece que estou professando aqui meu outro credo, as Ciências Sociais, e me incomoda ver um assunto tão importante ser tratado de forma tão leviana. Não se trata apenas da “Hora do Planeta”, mas de uma postura geral sobre os problemas ambientais: atualmente, negar a ação humana como causa do aquecimento global é tão vergonhoso como negar Cristo por três vezes! Assim, meu esforço, antes de desrespeitar um tipo de pensamento, é para compreendê-lo melhor e se possível reforçar seus argumentos. Em linhas gerais, digamos que compartilho da causa, mas não das formas de mobilização adotadas. Em especial, argumento pelo meu direito de ser um dissidente em um contexto democrático, sem necessariamente ser tratado como um herege.
De qualquer forma, “folgo em saber” que ao menos não serei queimado vivo, como as bruxas e hereges de outros tempos. Afinal, todos ecologistas sabem que as fogueiras destroem madeira e aumentam os problemas com o efeito-estufa! Por outro lado, também os churrasquinhos humanos de outrora tinham funções sociais que iam muito além de acabar com o problema, em si. Assim como a “Hora do Planeta”, também serviam para conscientizar! “Ou não” ;)
15 Março, 2012
Crônicas da Cidade Grande: Pessoas Invisiveis!
Me mudei pra São Paulo recentemente, e tenho feito várias reflexões sobre as diferenças entre essa cidade e outras onde vivi, coisa de pensamento durante uma viagem de metrô e tals.
Um dos efeitos colaterais da cidade grande: Pessoas Invisiveis!
Um causo ainda em Campinas
Outro dia, em Campinas, um cara veio pedir uma contribuição pra gente na rua (roupa, dinheiro, o que seja). Sua história é que tinha acabado de sair de um presídio, que tinha feito merda sim, mas agora o governo soltou ele na rua e ele tinha que pelo menos chegar à cidade natal e tentar recomeçar. Bateu um papo conosco, comentou de como a aparente vida fácil trazida pelo crime foi um tiro pela culatra e etc. Sei lá, acreditamos e demos algo que eu tinha no bolso no momento, coisa de 5 reais. Bom, a história é longa e envolve algumas coincidências, mas o fato é que depois de algum tempo acabamos andando pela cidade procurando o cara pra doar umas roupas. Achamos ele. A expressão de gratidão e de incredulidade dele compensou toda o trabalho de andar procurando o cara. Sério, foi bem gratificante. Ele não acreditava que alguém pudesse ajudar dessa forma.
Sampa
Corta pra São Paulo. Como ando a pé e de transporte público, e como não moro no mundinho de fantasia de alguns bairros da zona sul - em Campinas eu morei em "mundos de fantasia", cada um por seus motivos: Barão Geraldo e depois Cambui - vejo pessoas necessitadas com muito mais frequência. De quando em quando algumas vem pedir algo, de quando em quando algumas vem vender algo. "Olha o amendoin torrado, 50 centavos!", "Halls e Freegel, 1 real. São os últimos", "Preciso de 2 reais pra inteirar minha passagem, por favor", "Minha filha precisa de leite"...
Eu costumo vir pro trabalho com os passes do trem da ida e o da volta e com 2 reais pra um suco de laranja de café da manhã. Sério, só isso. Pro almoço tenho o vale refeição, e não curto ficar andando com dinheiro na carteira. Um dia ou outro me compadeci de alguns dos pedintes e dei esses 2 reais pra essas pessoas. O pensamento era algo do tipo:
-- "Puxa, eu ficar sem um suco, sendo que daqui a pouco almoço em um restaurante elitizado comendo do bom e do melhor, versus a possibilidade de ela estar falando a verdade e a criança precisar de leite. Foda-se o suco".
Mas isso se repete... Se um quer comida, outro quer remédio, outro quer inteirar a grana da passagem, outro acabou de sair do presídio... Chega uma hora que meu pensamento muda:
-- "Porra, eu trabalho o dia todo, as vezes trabalho estressante. Não sou consumista, não fico gastando grana com balada, roupas de marca... Não desreipeito as pessoas. E não ganho o suficiente pra juntar capital, apenas pra levar o dia a dia sem luxo, não tenho carro ou moradia própria... (Levo o dia a dia muito bem, por sinal, não tenho do que reclamar). Quer saber, tenho direito sim a meu suco de laranja e o que mais queira fazer com minha grana. Não posso ficar dando dinheiro por ai baseado em achar que meus gastos são menos nobres".
Um amigo, o Sangue, falou sobre definir um ponto a partir do qual você poderia doar sem se prejudicar. Mas qual é esse limiar? Ficar sem um jogo novo de video game, ou com uma internet mais lerda, seria me prejudicar se comparado a uma criança sem comida?
As Pessoas Invisíveis
Ai entram (ou saem) as "Pessoas Invisíveis".
Como? Quando você faz contato visual, quando mostra respeito, compaixão... quando conversa... eles - os excluidos, os carentes, os pedintes - insistem. Andam junto com você por um tempo. Fazem chantagem emocional. Tem uns que olham o quanto tenho na mão (ao pegar o troco na estação, por exemplo) e contra argumentam quando digo que não tenho ou que não quero doar. Que fique claro: isso não acontece todo dia, não acontece toda hora. Na maior parte dos dias minha caminhada é super tranquila. Mas acontece com uma frequência maior do que no interior (seja Campinas, seja Ribeirão). E isso, de ficar discutindo e ouvindo chantagem emocional, é desgastante, te deixa deprê, ou com raiva, ou te faz perder tempo (que as vezes é curto nessa correria que é São Paulo).
Um pouco de foco agora
Veja que não estou me escondendo atrás do argumento de que poderia ser mentira, de que esse dinheiro iria pra drogas, etc. Isso pode acontecer, deve acontecer, mas não é esse caso que me deixou filosofando. To falando de situações em que voce assume que a necessidade existe, de fato (quer seja por bondade, inocência, indícios, não importa).
Finalmente, a invisibilidade
Qual a saída? Não as ver mais essas pessoas como pessoas. Passar reto, sem contato visual, sem demonstrar piedade. São objetos, parte da paisagem urbana. Nunca consegui levar isso ao extremo, mas percebo observando as ruas que pessoas antipáticas de verdade se saem mais rápido dessas situações.
E eu?
Me perguntei quanto tempo Sampa vai levar pra me quebrar, e tornar alguns seres humanos invisíveis pra mim. Parte achou que "Isso não vai acontecer nunca, você não é assim", mas parte pensou "ha ha... vc só tá aqui a 15 dias, espera pra ver".
Sociologia do dia a dia
Pelo menos não estou sozinho nessa. O Rolo me disse que me deparei na prática com um dilema antigo da sociologia: Gemeinschaft (comunidade) versus Gesellschaft (sociedade).
A ideia é que em aglomerados humanos menores, as relações sociais são dirigidas por relações de proximidade e solidariedade, enquanto que nos grandes centros urbanos, são utilitaristas e individualistas. Pelo visto há sociólogos que expandem esse raciocínio analisando os mecanismos práticos de anonimato nas cidades (não cruzar o olhar em transporte público, ignorar pedintes, etc). A ideia seria que ignorar alguns dos problemas sociais da cidade grande no dia a dia não é bem uma questão de moral ou ética, mas uma necessidade prática. Sempre agir altruisticamente em um ambiente de Gesellschaft iria contra a tendência de individualização e especialização que é característica da vida em grandes aglomerados urbanos. Desse modo, quando mudamos para a cidade grande, deixamos de lado algumas relações de solidariedade e ganhamos, em troca, outras coisas (por exemplo, o anonimato).
Como será que isso funciona quando você volta pra comunidade pequena, esses mecanismos continuam agindo? Se sim, você vai parecer uma pessoa mais fria do que é... Mas se bobear a gente vai levando e usando as máscaras sociais de acordo com as situações... ou não.
13 Março, 2012
Curadores Sociopatas
Outro dia li um post recomendado pela Alicia Alao
que defendia um novo jornalismo, onde o papel do jornalista deixaria de
ser o de "porteiro" e passaria a ser o de "curador" das notícias.
Lembro que o texto era bacana e tals, mas não lembro detalhes. Em linhas
gerais, nesse mundo de superinformação e de participação cada vez mais
ativa da população na criação das notícias, caberia ao jornalista
curador contextualizar, selecionar, filtrar e sugerir informações. Algo
análogo ao curador de arte de um museu.
Tá. Dai na semana passada, no Happy Hour de lançamento do livro da Marcia Tait, eu, o Rodrigo Botelho,
e uma professora cujo nome eu não me lembro (e acho que nem perguntei,
por que já saímos discutindo o sentido da vida direto sem
apresentações), estávamos falando de todas as coisas do mundo e passamos
pelos algoritmos da Google. E em como eles, os algoritmos, selecionam o
que aparece nas páginas de busca e em que ordem. Conversa vai, conversa
vem, e uma idéia surgiu.
O novo curador de informações
Hoje em dia, por mais que já se esteja
falando no jornalista curador, acho que posso afirmar que o principal
curador de informações do mundo digital é o Google. Você vai lá, digita
seu termo, e ele mostra umas páginas. Na grande maioria das vezes a
gente se contenta com algo que esteja na primeira página de resultados
da busca. Ou seja, a gente se contenta em escolher um entre 10 dos pré
-selecionados pelo Google (dentre as milhares e milhares de páginas
existentes). Bela seleção, não? Esse filtro ajuda? Ôh! E muito, uso
sempre e vou continuar usando. Um mecanismo como esse, que auxilie na busca de informações da Internet, é indispensável. E a Google faz isso muito bem. Sendo justo, o Google é apenas um
exemplo, justamente devido ao grande serviço que é (e é mesmo muito bom,
não tô sendo irônico), mas o mesmo vale pros links dos portais em
geral, Yahoo, feeds no Facebook, etc.
O curador psicopata
Mas aquele papo acima era conversa de boteco, então tínhamos que filosofar, não dava pra parar no elogio ao algoritmo deles. E qual foi o devaneio? Esses algoritmos da Google usam matemática, estatística, dinheiro, análise do conteúdo, análise de nossos dados, etc, e geram a lista de resultados. Porém ele, o algoritmo, não é humano. Ele não tem ética, não tem empatia ou compaixão, não tem opiniões políticas ou sociais, medo, ou dó. Ele é um algoritmo, uma fórmula matemática. E qual a definição de sociopatia? É um distúrbio caracterizado pela ausência de empatia com outros seres vivos, pelo descaso com o bem estar do outro, pela indiferença por normas sociais, indiferença pelos direitos ou pelos sentimentos alheios. Ou seja, pro bem ou pro mal, nosso principal curador de informação hoje em dia é um sociopata! Por definição!
Um dos efeitos disso que dá pra vislumbrar é que um algoritmo não vai valorizar algo devido exclusivamente a fins políticos ou partidários ou devido a opiniões tendenciosas, ou a preconceitos pessoais, etc...
Outro
efeito que dá pra vislumbrar é a não valorização, ou em caso extremo,
até a exclusão, da dissidência: se todos clicam na foto da mocinha do
BBB que mostrou os peitos logo de cara em detrimento de
clicar nos links dos conflitos no mundo árabe, os algoritmos vão se
adaptar pra mostrar esse primeiro tipo de notícia em detrimento do
segundo. No longo prazo, não verei mais boa parte das notícias de
política, pra ver as mocinhas bonitas que serão as coisas mais sugeridas
pra mim pelos algoritmos. Tem problema em clicar de cara na matéria
dizendo que a moça mostrou os peitos? Não, é natural. O que talvez
devesse ser visto com olhos críticos (principalmente por nós da TI que criamos tais algoritmos) é que os algoritmos que curam a
nossa informação estão aprendendo com isso, e eles não têm bom senso.
Um livro bem caro
Pra dar um exemplo de como um algoritmo não tem muito bom senso, recentemente teve o caso de um conflito entre 2 algoritmos que davam preços de livros para duas livrarias, a Bordeebook e a Profanath. Coincidentemente aconteceu de os 2 algoritmos estavarem olhando ao mesmo tempo para o preço do mesmo livro, o "The Making of a Fly", de Peter Lawrence. Quando uma das lojas aumentava o preço, o algoritmo da outra loja percebia automaticamente e aumentava o preço também. E isso ficou em ciclos. O livro chegou a mais de 20 milhões de dólares até alguém perceber. Ou seja, aquela fórmula matemática que dava o preço do livro não tinha muita noção de valores, afinal, por bom que o livro seja, 20 milhões é sim um pouco fora da realidade. Se fosse um ser humano colocando preços, talvez percebesse algo estranho quando o preço chegasse aos seus 2 milhões de dólares:)
Além das buscas
Isso, de usar algoritmos pra "curar" informações, vai além de páginas de buscas, em iniciativas como essa:
"University of Bristol scientists claim to have developed software that
can spot whether a song has hit potential. The program looks
at 23 separate characteristics including loudness, danceability and
harmonic simplicity. Trained using hit songs from the Top 40 over the
last 50 years, the software can predict chart positions. "
(Fonte: http://www.bbc.co.uk/news/ technology-16218284)
Ou seja: softwares analizando a música e já avisando a produtora e os investidores se a música fará ou não sucesso. Isso pode até definir o investimento ou não no músico em questão. A
pergunta que fica é: e a "inovação"? E a música que trouxer algo novo, que
ainda não seja possível prever a partir de dados históricos? Talvez ela
fique de fora sem um olhar humano sobre ela (meio sinestésica essa frase, né?). Aliás, um dos itens analizados automaticamente me assusta, "simplicidade da harmonia". Existe iniciativa semelhante pra roteiros de cinema, mas o link não tá comigo agora.
"University of Bristol scientists claim to have developed software that can spot whether a song has hit potential. The program looks at 23 separate characteristics including loudness, danceability and harmonic simplicity. Trained using hit songs from the Top 40 over the last 50 years, the software can predict chart positions. "
(Fonte: http://www.bbc.co.uk/news/
Ou seja: softwares analizando a música e já avisando a produtora e os investidores se a música fará ou não sucesso. Isso pode até definir o investimento ou não no músico em questão. A pergunta que fica é: e a "inovação"? E a música que trouxer algo novo, que ainda não seja possível prever a partir de dados históricos? Talvez ela fique de fora sem um olhar humano sobre ela (meio sinestésica essa frase, né?). Aliás, um dos itens analizados automaticamente me assusta, "simplicidade da harmonia". Existe iniciativa semelhante pra roteiros de cinema, mas o link não tá comigo agora.
Hoje mesmo o Fabio Fantato me falou de um sistema que diz aos blogueiros sobre qual o tema eles deveriam escrever pra fazer sucesso e virar hit no dia em questão.
Tem também esse estudo, anunciado no Olhar Digital, que diz que as crianças confiam mais no Google do que em seus pais! E por ai vai...
(fonte: http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/estudo-criancas-confiam-mais-no-google-do-que-nos-proprios-pais)
E dai, que fazemos?
Qual a saída? Não sei se tem que ter uma saída, isso é uma reflexão, um olhar crítico. Sei lá, os jornalistas curadores da Alícia talvez ajudem. Ou, e essa é minha saída pessoal, as redes sociais. Sejamos curadores uns dos outros e através de nossas redes vamos achando e sugerindo informações. Algo meio que no sentido de “inteligência coletiva” do Levy. Sem endeusar as tais redes como solução infalível, mas tem sido meu filtro e minha maneira de divulgar o que acho de interessante pra quem queira ler. No caso de conhecer músicas, quando morava em Campinas ouvia a Rádio Muda, aqui em Sampa ainda não achei uma equivalente. E por ai vamos...
PS: Sociopata e Psicopata são termos intercambiaveis, pelo menos assim me disse meu curador sociopata.
07 Novembro, 2011
Sobre os “maconheiros da USP” versus os “facistas a favor da polícia”
Jurei que
não ia mais ligar com comentários na Internet depois de levantar a hipótese de
que isso é tudo um complô pra “trolar”
a mim, ao Auro e ao Pablo. Mas lendo algumas notícias esse final de semana não
me segurei. Quanta desinformação e críticas idiotas eclipsando uma discussão
possivelmente interessante (ou várias discussões possivelmente interessantes)!!! Dai escrevi isso aqui a principio num e-mail e agora pra descansar um pouco depois do café resolvi postar.
De um lado, os “direitosos facistas”
De um lado
os blogs vermelhos dizendo que polícia nos campi não muda em nada a segurança e
(e agora vem a parte que me irrita) chamando qualquer pessoa que é a favor da polícia
de facista, nazista e coisas do gênero.
E dai acabam
desvirtuando a discussão, extrapolando o rótulo de facista pra qualquer pessoa
com uma opinião mais alinhada à direita. Assim se se pratica uma repressão
contra formas diferentes de pensar que me lembram justamente o... ahn... facismo!!
Acontece
que vemos segundo os dados oficiais, que o índice de crimes dentro da USP caiu
em mais de 90%depois do convênio com a PM. Ou seja, parece que está sim adiantando.
Do outro lado, os “esquerdosos maconheiros”
Então vem a
mídia mais “formal” generalizando e extrapolando no outro sentido. Sendo a
cereja do bolo, em minha opinião, a Veja com a matéria dizendo que: a “Democracia
de fardas” foi atacada a pedradas por maconheiros, e que todo o movimento que
estamos vendo essas semanas é tão somente pra não deixar prender esses “maconheiros”.
O pior é
que nos comentários dos leitores vi que essa sementinha cresce e cresce e floresce
a ponto de ter uma galera criticando a existência em si de cursos de sociologia e filosofia, como antros de
maconheiros baderneiros que são inúteis para a sociedade.
(abre
parênteses pra um desabafo sobre a democracia de fardas)
Com todo o
respeito pelos policiais honestos (que devem ser a maioria), mas “Democracia de
fardas” foi foda. Uma vez tive minha casa assaltada e os policiais apareceram
mais de uma hora depois, dizendo que não tinham como tentar achar os bandidos
por falta de homens (eles tinham a descrição das pessoas e do carro) e disseram
inclusive que nem iriam fazer o BO ali que dava trabalho, eu que me dirigisse
(sem carro e sem dinheiro) até a delegacia que ficava beeem longe em outro
bairro. Estranho, mas até o momento poderia ser verdade. Nem quatro dias depois
um rico do mesmo bairro morando a poucas quadras é assaltado e em menos de 10
minutos havia vários camburões e helicópteros rondando (sério). Claro que a
culpa não é exatamente dos policiais que estavam fazendo seu trabalho, alguém
deve ter tomado as decisões. Mas foi bem democrático mesmo, né? Há vários outros
exemplos aqui, mas não é o motivo do post.
(fecha o
parêntese do desabafo sobre a democracia de fardas)
Um pouco de histórico
A discussão
sobre polícia militar versus universidades é antiga, bem mais antiga do que
esse caso dos 3 maconheiros/estudantes de agora. Não acredita? Então vamos
lá...
Em um livro
chamado “O livro negro da USP” (de autoria coletiva de vários professores) eles
remontam essa discussão lá pra década de 40.
Tem quem
não acredita nisso, vá lá. Afinal são teorias sobre a função social da universidade
e de como a presença de uma força militar coibiria o livre pensamento e tals.
Mas são teorias, e cada um acredita no que quiser.
De qualquer
forma, ainda no “histórico”, tem dados menos subjetivos do que esse livro (e
vários outros), como a listinha abaixo.
>> Apenas nove
dias após o golpe militar, o que eles invadiram e quem eles caçaram? Não vou
nem responder a essa pergunta retórica. E não foi só essa primeira invasão não,
o histórico de invasões à universidades e torturas por parte da ditadura durou
muito.
>> Em 1969 o
governo criou o “Decreto-Lei nº 477”, elaborado pelo Conselho de Segurança
Nacional, especialmente para silenciar estudantes, professores e funcionários
das instituições de ensino.
>> Depois, em
1970, a mesma galera da ditadura teve a grande ideia de colocar a Academia de
Polícia na entrada da universidade.
>> Dai, em
1973, veio a criação da “Assessoria Especial de Segurança e Informações (Aesi)”.
Implantada na USP com objetivo selecionar os funcionários, colher dados sobre
atividades subversivas, levantar informações sobre alunos, entre outras cositas más. As invasões de salas
de aulas, com prisões de professores e alunos, aumentaram muito. A Aesi acabou
em 1982.
>> Dai vem a
nova Constituição Brasileira, de 1988, trazendo pela primeira vez o princípio
da autonomia universitária plena; Embora ainda muito se discuta até hoje sobre
o que seria essa “autonomia plena”, a polícia foi perdendo aos esse papel de controlar
o que se passa dentro da faculdade. A tal da “guarda universitária” da USP ganha
peso.
>> Em 2009 a PM
volta a entrar na USP, devido uma greve pedindo o de sempre (salário, melhores
condições, etc, etc). Alguém chuta o final da história? Ela terminou em
confronto, balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta.
>> Em 18 de
maio último morre um estudante durante um assalto, e a PM ganha mais presença
dentro da USP, assim como as discussões de se ela deve ou não estar lá dentro
ganha nova força.
>> Mais
recente - e quase acabando a historinha (juro!) - em 8 de setembro agora
Antonio Ferreira Pinto (secretário estadual da Segurança Pública), coronel
Álvaro Batista Camilo (comandante do policiamento do estado), e pelo professor
João Grandino Rodas (reitor da USP)
assinam um convênio aumentando mais ainda a presença militar dentro da
USP.
(parênteses sobre o reitor)
Não que
seja diretamente ligado, longe disso, mas acho que de certa forma apimenta um
pouco essa história o fato de o reitor Rodas ter sido escolhido pelo Serra através
de uma nomeação que ignorou a votação da comunidade acadêmica, que teria
eleito Glaucius Oliva como reitor. Direito do Serra fazer isso, o resultado da
votação é apenas uma sugestão ao governador que é quem decide o nome. Direito
dele, mas algo não muito comum depois da ditadura. Tanta polêmica o reitor
causou com sua linha dura. Até considerado oficialmente "persona
non grata" pela faculdade de direito da USP (aka Largo da São
Francisco). Título inédito, e olha que eles tiveram alguns ditadores lá dentro (e tô
falando da São Francisco, não da FFLCH).
(fecha parênteses sobre o reitor)
>> Finalmente
chegamos no estopim que gerou às notícias das últimas semanas: 3 alunos
estariam portando maconha e as “rondas ostensivas” da PM de São Paulo (quem se
lembra da sutileza da Rondas Ostensivas
Tobias de Aguiar, também chamada de ROTA,
levanta a mão) vem gentilmente pedir pra eles os acompanharem até a delegacia (apesar
de que porte de drogas não daria prisão, até onde eu saiba). Mesmo com o pedido
sendo totalmente gentil e sutil, os alunos, vários professores e vários
funcionários perdem a cabeça e saem enlouquecidos contra os policiais bonzinhos
que só vêm uma alternativa que seria o uso – de novo – de bombas de gás e tiros
de borracha contra a horda de alunos e professores alucinados, ensandecidos e
perigosos.
>> Após essa
abordagem da polícia, o protesto contra a presença da polícia no campus ganhou
escala e finalmente explodiu com a invasão (ocupação?).
Isso falando
da história da PM na USP. Se pegássemos, por exemplo, a UNB, a história seria muito
maior.
All in all, o ponto é que a coisa é um pouco mais
complicada do que: “3 maconheiros tentando acabar com a formação intelectual
do Brasil, que felizmente foi salva pela maravilhosa democracia de fardas. Então uma onda de loucura se abateu sobre
outros alunos e sobre os professores que querem soltar os maconheiros de qualquer
forma”.
Quer discutir? Vamos discutir coerentemente
O resumão
é: estou indignado não com a opinião de um lado ou de outro, ou seja, não me indignam
opiniões pró ou contra PM em um campus. Eu mesmo ainda não tenho opinião sobre tal.
Sério.
Acho a
discussão disso muito bem vinda, por sinal.
Também a
discussão adjacente que está surgindo em muitos dos posts que li, sobre a descriminalização
da maconha, pode ser interessante e bem vinda. Mas se discutida com seriedade e
não com xingamentos e estereótipos.
Estou indignado
sim é com a desinformação e as generalizações idiotas que vem sendo feitas.
Algumas frases soltas pra terminar, meio que mostrando
minha opinião contrária à muita coisa que andei lendo repetidamente nos
comentários por ai:
>> Estudantes
da FFLCH, ou quaisquer estudantes de sociologia ou filosofia não são um bando
de maconheiros inúteis.
>> Fumar
maconha é proibido, é ilegal (embora, até onde sei, não punível por prisão).
Mas isso não faz com que a pessoa esteja errada em todo e qualquer aspecto da
vida. Dirigir acima da velocidade ou depois de uma cervejinha, ou não dar
preferência ao pedestre, também são atitudes ilegais (e que matam muito mais
por sinal) e nem por isso todo mundo que dirige assim de vez em quando é um
filha da puta que merece morrer e está errado em quaisquer aspectos de sua
vida.
>> Comprar num
camelô também dá dinheiro para o crime organizado.
>> A discussão
sobre se a soberania da faculdade deveria ou não contemplar a ausência de polícia
militar dentro da mesma é mais bem antiga do que esse caso dos 3 estudantes e
já estava sendo discutida antes (desde a década de 40!). Isso foi um estopim
pra a manifestação mais recente (assim como já ocorreram várias outras no curso
da história).
>> Uma pessoa
que tenha opinião a favor da polícia no campus, sejam quais forem seus motivos, não
é um facista tampouco um idiota. Nem é
um idiota aquele que acha que um reforço para a guarda universitária seria a
saída.
>> Discutir
baseando-se em xingamentos e estereótipos não leva a lugar nenhum, é apenas uma
batalha de egos idiota.
>> Mesmo se
você acredita que a PM não deveria entrar no campus, uma coisa é fato, a
criminalidade aumentou muito dentro dos campi nas últimas décadas. Já temos
assassinatos e estupros, e algo deveria ser feito a respeito. Aparentemente a
PM coibiu os crimes.
>> A existência
de maconha dentro dos campi não é algo novo, não está acabando com o futuro
acadêmico (li isso, sério!). Ela sempre existiu. Existiu e ainda existe em todos
os cursos, por sinal, quer sejam de humanas quer sejam engenharias, direito ou
medicina. Nem por isso não temos produzidos bons pensadores, médicos,
cientistas, idéias, etc.
>> Tem gente
que acredita que todo o lance de discutir repressão a maneiras diferentes de
pensar está errado por princípio, já
que as universidades seriam apenas cursos profissionalizantes que te dão um
diploma que por sua vez te dará um salário melhor. Nesse caso preciso opinar,
já tenho uma opinião forte contrária a isso, mas apesar de eu ser contra essa
linha de raciocínio quem pensa assim tem direito de falar e defender sua
opinião sem ser ofendido.
>> Transformar
um protesto político (seja a invasão/ocupação a melhor maneira de protesto ou
não) que tem como objetivo a retirada da polícia do campus da USP (quer seja
esse objetivo algo louvável ou não), em um protesto
contra a prisão de maconheiros é, pra dizer pouco, intelectualmente
desonesto. Além de ser também uma maneira fácil de levar o grande público a repudiar
tal protesto já que o tema 'drogas' quase sempre é um tópico de consenso (como
ouvi por ai e estou copiando, aliás), é como Hitler: caso você fale mal dele,
sempre estarão ao seu lado e assim fica fácil convencer quem não está acompanhando
tudo com senso crítico.
25 Setembro, 2011
Post utilitário: checklist para uma viagem à Zoropa
Ae, tava aqui lavando umas roupas pra começar a fazer as malas pra viagem semana que vem e comecei a organizar mentalmente o checklist. Dai resolvi compartilhar aqui, as vezes ajuda alguém a não se esquecer de nada. É pra uma viajem específica em uma época do ano específica, então adaptem o necessário.
Muita coisa ai é baseada em albergues e apartamento alugado em países não falantes de inglês (então pode ser difícil comprar em caso de emergência), se for hotel ou grandes centros onde se fala inglês não precisa tanto.
Enjoy!
BAGAGEM
- Mochila pequena, para passeios (máximo 5kg carregada)
- Capa de chuva / Capa de chuva para mochila / guarda chuvas
- Cadeados pequenos para fechos das mochilas, com segredo ou chave reserva.
- Cadeado pra armário de albergue com segredo ou chave reserva
- Etiquetas de identificação da bagagem
ROUPAS
- Calças jeans, que sejam boas para caminhar e para sair à noite
- Bermudas (1 ou 2), de preferência com bolsos e de tecido que seque fácil
- Calça de abrigo (nylon, tac-tel, etc) – opcional (pode ser usada p/ dormir também)
- Casaco para o frio, de preferência impermeável
- Bota
- Cachelol
- Gorro
- Luvas
- Segunda pele segunda pele e/ou thermal underwear - opcional, mas se for frio é legal pq ajuda bem e quase não ocupa espaço.
- Camisetas (entre 4 e 8, dependendo da intenção de comprar mais na viagem)
- Moletom e/ou blusão e/ou bluse de fleece
- Pijama ou roupa mais confortável para dormir
- Cuecas (entre 5 e 10, conforme intenção de lavar no banho ou em lavanderias)
- Meias (entre 5 e 10 pares, conforme intenção de lavar no banho ou em lavanderias)
- Chinelos (1 par de havaianas, para tomar banho em banheiros coletivos e p/ usar na praia)
- Tênis (1 ou 2)
- Boné / viseira / chapeu - opcional, bom para caminhadas no sol
- Se der , leve coisas que se pode jogar fora depois, assim sobra espaço na mala pra roupas que comprar lá.
HIGIENE e SAÚDE
- Nécessaires
- Aparelho de barbear com lâminas suficientes (despachar)
- Shampoo (despachar)
- Sabonete com porta-sabonete ou líquido (para não ficar grudando no papel a cada uso)
- Toalha de banho leve (para secar rápido)
- Pasta de dente
- Escova de dente / Fio Dental
- Pente ou escova
- Colírio
- Protetor solar (despachar)
- Manteiga de cacau (para os lugares com frio, muito sol ou vento). Dependendo da pele, leva hidratante também.
- Talco (para pés e tenis)
- Cotonetes
- Cortador de unhas (despachar)
- Lenços (para quem tem rinite)
- Remédio para dor de cabeça, de estômago, diarréia, engov, epativan, dramin, alergias (claritin, por exemplo) e gripe (quantidades pequenas)
- Remédios de uso contínuo (quantidades pequenas e com receita médica)
- Vitaminas
- Band-aid
- Desodorante
- Lentes de contato e/ou óculos de grau
- Produtos para limpeza e conservação de lentes de contato (máximo 120ml)
- Óculos de sol e capinha do óculos pra guardar na mala
- Repelente
- Papel higiênico
ACESSÓRIOS
- Máquina fotográfica
- MP3 player (não esqueça do fone de ouvido)
- Pilhas extra
- Carregador de pilha
- Cabos dos carregadores
- Celular
- Xoom (meu tablet rs)
- MP3 player
- Câmera
- etc
- Livros e quem tiver, lanterna de leitura
- Cartão de memória
- Celular habilitado para roaming internacional - opcional
- Carregador de celular
- Xoom
- Carregador de Xoom
- Adaptador universal de tomadas
- T ou beijamin
- Porta dólares (hidden bag)
- Passagens e voucher do seguro de saúde
- Caneta (é sempre bom ter uma para preencher formulários ou anotar informações)
- Relógio com despertador (lembrar de ajustar o fuso horário assim que chegar no lugar)
- Guia de viagem, mapas, etc.
- Agulha e linha para pequenos consertos de vestuário ou bagagem
- Canivete – opcional (despachar com a bagagem)
- Saca rolhas - (despachar com a bagagem)
- Carteira
- Sacolas plásticas para separar roupas molhadas ou sujas
- Secador de cabelo, pra quem usa
DOCUMENTAÇÃO
- Passaporte com validade mínima de 6 meses (levar passaporte antigo também, se tiver)
- Cópias do passaporte, para caso de perda (deixar na mochila ou outro lugar seguro)
- Carteira de motorista (para aluguel de carro, com no mínimo 5 anos)
- Documento de identidade nacional (para deixar como garantia quando necessário)
- Cópias de contracheques, extratos bancários e/ou Imposto de Renda (para a imigração)
- Outras provas de capacidade econômica (limite do cartão, propriedade de veículo, etc.)
- Passagens aéreas de ida e volta (e cartão de fidelidade da empresa, para crédito das milhas)
- Seguro de saúde e bagagem com cobertura mínima de EUR 30.000,00
- Nomes, endereços e demais informações de cada albergue:
- Paris
- Praga
- Brno
- Budapeste
- Amsterdan
- De 50 a 100 Euros ou dólares (para pequenas despesas antes de sacar nos caixas automáticos)
- Reais para pequenas despesas no trecho no Brasil (comida, táxi, ônibus)
- Cartões de crédito (de preferência 2, um para todo dia e outro para guardar para eventualidades), com limite razoável e validade para pelo menos 2 meses depois do fim da viagem
- VTM / Travel checks
- Lista com telefones de de embaixadas ou consulados em cada país
- França
- Rep. Tcheca
- Hungria
- Holanda
- Lista com códigos de acesso a cobrar para o Brasil pela Embratel para cada país
- França
- Rep. Tcheca
- Hungria
- Holanda
COISAS A FAZER ANTES
- Confirmar vôo com 2 dias de antecedência
- Fazer o checkin online (dependendo do modelo de avião dá pra saber os lugares mais espaçosos na internet)
- Ligar no banco/cartões de crédito informando da viagem
- Checar VTM e senha
- Se for ficar muito tempo em um lugar só, verificar preço de chips pré pagos pro celular, de preferência com plano de dados
- Ligar para operadora de celular informando da viagem
- Pagar ou agendar pagamentos durante a viagem
- aluguel
- cartão de crédito
- Mandar e-mail pra todos os albergues confirmando que estamos saindo
- Registrar produtos eletrônicos na Receita Federal nos aeroportos antes de viajar
- Ficar esperto com regras sobre o que pode levar pra cada país, em especial comidas. E ficar esperto com as regras do aeroporto (sem líquidos na bagagem de mãos e tal, bem como peso da mala)
- Importante: quem vai pegar vôos internos na Europa verificar o limite de peso e bagagem desses vôos também. Normalmente os Low Cost vão te deixar levar muito menos do que o vôo do Brasil.
- Quem quiser fazer comprar maiores, se informar sobre políticas de devolução de impostos (grandes chances de ter que mostrar o passaporte na hora da compra).
- Cuidado com metal nas roupas, devido ao raio x do aeroporto. Nunca passei por isso, mas já vi gente tendo que tirar cintos e o escambau.
- Pesquisar sobre os locais a visitar pra chegar conhecendo um pouco e não perder muito tempo:
- Pontos turísticos
- Regiões com pubs
- História e algo da língua local (pelo menos um "obrigado", "desculpe", "não falo XXX", etc).
- Hábitos, comidas e bebidas locais
- Previsão do tempo na época da viagem
- Dicas de segurança
22 Setembro, 2011
Android Development tool: MOTODEV Studio
This is a different post. In so many ways...
- This post is a kind of advertisement, but it is an advertisement of a great product: useful, free, no tricks involved, etc. And this is the product I’m working on! (We are a good team developing it, believe me).
- It is technical. Am I a tech guy by profession, but I use to use this blog for other discussions.
- It is in English :)
Let’s go!
Android Development
If you got here you are interested in AndroidTM development, which is great since Android is a very nice and powerful operating system.
In fact Android is more than an OS, it is a software stack for mobile devices (may be not so mobile in the future) that includes the operating system, middleware, and key applications. Android also provides you a market that makes it easy for you to distribute and sell your applications.
If you are new to all of it, take a look at these links:
- http://www.openhandsetalliance.com/android_overview.html
- http://developer.android.com/guide/basics/what-is-android.html
- https://market.android.com/
I have this feeling that so far it was all blablabla for you. After all you already know what Android is, right?
So what about development? Off we go.
First thing you need is to have the Android SDK (software development kit), and to understand the Android basics and architecture. Begin by the Dev Guide.
For the development environment, you will probably use Eclipse.
Android provides you a set of plugins called ADT that helps you a lot providing the basics for Android development. Here you will see a step by step on how to install the ADT plugins into your existing Eclipse installation to make it Android aware.
But before going there, take a quick look at the next section.
MOTODEV Studio for Android™
Although Eclipse is great and ADT plugins are great, you can have a more complete and in-a-box experience with MOTODEV Studio for Android.
It is a IDE (Integrated Development Environment) based on Eclipse, that lets developers who are new to Android get started quickly and helps experienced developers get the job done even faster.
Some important points about MOTODEV Studio for Android:
- It is free! Really. You need to create an MOTODEV account and for that you only need an e-mail. With that account you be able to: download Studio, participate in development forums and some more.
- It is for Android development, in general. So, yes, you will be able to create applications for each and every Android device, not only devices from Motorola Mobility, Inc. And your apps are pure Android, no tricks.
- It does not compete with Eclipse. And it does not compete with Google ADT. It works together with those, complementing the existing features with some nice stuff. If you install MOTODEV Studio from scratch (not over an existing Eclipse installation) you will be installing Eclipse plus ADT plus some other features that composes MOTODEV Studio for Android. The only difference is that it will happen on a single step.
- As it was implicit on the previous bullet, there are some other features and possibilities with Studio. For a new developer it will help you with samples, code snippets, wizards to create most common application components and more. For the experienced ones there are features to help you to test, help you localize your apps, perform static analysis, create apps faster, and more.
That all said, my suggestion is for you to try it:
After trying, if you want just appear in the discussion boards for a chat, for questions, suggestions (they will be heard) for help with development… well… you got it.
To keep updated with the product latest news, check out the blog.
To keep updated with the product latest news, check out the blog.
Android and Android Market are trademarks of Google Inc.
MOTODEV Studio and its documentation are copyrights from MOTOROLA Mobility, Inc.
MOTODEV Studio and its documentation are copyrights from MOTOROLA Mobility, Inc.
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