Há 13 anos
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13 abril, 2012
Dança Macabra, ou "ahhh, o terror!"
Id, Ego e Superego estariam representados inclusive na figura da casa e da porta por onde o Mr. Hide sai. Ele comenta que até Psicose, do Hitchcock se encaixa como um "conto de lobisomem" com o mérito de ter trazido o "monstro" pra vida cotidiana, alguém normal como nós. Até o momento da escrita do livro pelo menos, a atuação em um filme baseado nesse livro tinha rendido o primeiro e único Oscar de melhor ator pra uma atuação em filme de terror.
30 julho, 2010
Bang Bang, Faroeste, etc e tal
Listas, mais listas (será que rola uma lista de listas?)
Pra quem quiser fazer um catch up com os clássicos do western:
Era Uma Vez no Oeste (Sergio Leone, 1969)
Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966)
Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
Meu Ódio Será Sua Herança (Sam Peckinpah, 1969)
Sete Homens e um Destino (John Sturges, 1960)
Butch Cassidy (George Roy Hill, 1969)
O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962)
Por uns Dólares a Mais (Sergio Leone, 1965)
Por um Punhado de Dólares (Sergio Leone, 1964)
Os Invencívies (Ji-woon Kim, 2008)
Os Indomáveis (James Mangold, 2007)
21 julho, 2010
Filme do Tio Mário: O Espírito da Coméia
Lá vai o Filme do Tio Mário da semana. Quem num sabe o que é um "Filme do Tio Mário", por favor leia a intro desse post.
O Espírito da Colméia
Aproveitando os auspícios da Semana da Criança e ainda sob os eflúvios do nascimento do meu segundo filho, não poderia deixar de citar o meu filme favorito contando com crianças como protagonistas. E olhem que a concorrência é braba: de "O Garoto" a "Sexto Sentido", passando por "ET", a lista é imensurável. Mas este "O Espírito da Colméia" (Victor Erice, Espanha, 1973) é realmente genial.
Erice é, como J. D. Salinger e Raduan Nassar na literatura, ou Terence Malick e Kubrick (este na segunda fase da carreira) no cinema, um diretor nada prolífico. Em 35 anos, dirigiu apenas 3 longas, mais 3 episódios em filmes multidirigidos.
"O Espírito da Colméia" resumidamente é isso: numa pequena vila na Espanha franquista de 1940, enquanto seu pai estuda o comportamento das abelhas em uma colméia e sua mãe escreve cartas para um destinatário inexistente (ou seja, o ambiente doméstico não era lá grande coisa), Ana e Isabel vão assistir ao Frankenstein, de James Whale (grande clássico do horror com Boris Karloff) em um cinema móvel (tipo circo, mesmo) que visitava a vila. Embora não tenham entendido direito ao filme, as meninas (que devem ter entre 6 e 8 anos) ficam muito impressionadas com a cena em que o monstro dá uma flor a uma menina. Isabel, a irmã mais velha, diz a Ana que o monstro (Frankenstein) efetivamente existe na forma de um espírito que não pode ser visto, a não ser que se conheça o modo correto de se aproximar dele. Ana começa então sua busca pela gentil criatura nos arredores da vila, só que, ao invés dele, encontra um desertor do exército escondido em um celeiro. Ana decide então ajudá-lo, alimentando-o e vestindo-o, julgando que o forasteiro seja de fato o "espírito".
Ana Torrent, que interpreta Ana, depois, ainda criança, fez dois belos filmes com Carlos Saura ("Cria Cuervos" e "Elisa, Vida Minha"). Quando criança, foi uma atriz absolutamente comovente. Recentemente pude assisti-la protagonizando "Thesis - Morte ao Vivo", do Amenabar. Ela até que foi muito bem, mas certas atrizes simplesmente não deveriam crescer...
Um filme maravilhoso, próximo da perfeição, completamente poético e, imagino, dificílimo de encontrar. Visto no Carbono 14, antigo reduto underground de São Paulo, nos anos 80.
14 julho, 2010
Filme do Tio Mário: Malpertuis
Lá vai o Filme do Tio Mário da semana. Quem num sabe o que é um "Filme do Tio Mário", por favor leia a intro desse post.
O Cineclube de Bexiga ficava na Rua Treze de Maio, em São Paulo. A "Treze" era a meca dos bichogrilos, roqueiros, alternativos, boêmios, enfim todas as tribos tinham seu espaço nessa pequena babel cultural de São Paulo nos anos 80. Mas o principal, pelo menos prá mim, era o cineclube. Pequeno, acanhado, com somente um antigo projetor que obrigava a um intervalo forçado para troca de rolos no decorrer da sessão, foi um dos locais que me deram a chance de descobrir a Nouvelle Vague, Bergman, Neo-Realismo, etc.
O cineclube tinha um livro de visitas, onde os freqüentadores escreviam de tudo: poemas, críticas e principalmente, pedidos de filmes. O nome "Malpertuis" enchia páginas e páginas. Parece que quem tinha visto o troço nos anos 70 - aparentemente houve uma exibição do filme em alguma mostra ou ciclo especial - não esquecia. Eu, tomando meu café (é, o cineclube tinha um minúsculo coffee bar), ficava folheando este livro e morrendo de curiosidade para assistir o tal do Malpertuis (França/Bélgica/Alemanha, Harry Kümel, 1972). Numa próxima vez volto a falar do cineclube.
A oportunidade aconteceu na 9a Mostra de Cinema de São Paulo, em 1985. Lá estava ele, programado...e lá fui eu, assisti-lo. Prá início de conversa, existem diversas versões do filme. A última, restaurada pelo diretor e exibida em 2002 na Europa, é totalmente falada em flamengo, ao que parece o idioma original do filme (o diretor é belga). A que assisti no cinema, se bem me recordo, era falada em francês, com legendas em espanhol. Mas existem versões reduzidas, ampliadas, dubladas em inglês, alemão ou holandês - o que sem dúvida só contribui para aumentar o caráter cult do filme.
A trama é essa: Malpertuis é um castelo "assombrado", labiríntico e inescapável para quem o habita. Cassave (Orson Welles, excelente e completamente preguiçoso) está em seu leito de morte e deixa em testamento uma fortuna considerável para seus herdeiros, os quais devem por contrato viver até o final de seus dias em Malpertuis. Jan, um sobrinho de Cassave recém-chegado ao castelo, constata a estranheza dos tipos que compõe sua "família" - mistérios que serão revelados ao final da epopéia (aliás é um final daqueles reveladores e apoteóticos).
Os principais elementos utilizados pelo diretor são a composição surrealista e a mitologia grega, temas caraterísticos de Jean Ray (também belga, assim como o diretor Kümel), um dos melhores escritores europeus de literatura fantástica. Na minha impressão, um filme exemplar, de visual belíssimo e inventividade assombrosa, marcas do diretor Kümel, de quem depois acabei assistindo o anterior "Lábios de Sangue" (também chamado no Brasil de "As Escravas do Desejo" - Les Rouges aux Lèvres, Bélgica/França/Alemanha, 1971), também excelente e sobre...vampiras !!! Mas esse fica prá outro dia...
Uma boa notícia é que, com uma boa garimpagem, pode-se conseguir o VHS nas locadoras. Foi lançado como "Malpertuis - Estranhas Fantasias", acredito que pela Globo Vídeo. Boa sorte !!!!
06 julho, 2010
Filme do Tio Mário: O Quarto Homem
Lá vai o Filme do Tio Mário da semana. Quem num sabe o que é um "Filme do Tio Mário", por favor leia a intro desse post.
Engraçado, este filme foi o maior hype da 8a Mostra de Cinema de SP (em 1984, quando tive a oportunidade de assistir), e nunca foi lançado comercialmente no país. Soube que, em outubro de 2004, o Carlos Reichenbach promoveu uma sessão deste filme no CineSesc (não me perguntem como ele arrumou esta cópia, com legendas em inglês - deve ser a mesma que exibiram em 1984 !!!) e quem sabe alguns de vocês de Sampa e arredores tiveram a chance de ver.
Mas voltando à vaca fria, "O Quarto Homem" (De Vierde Man, Holanda, 1983) é o sexto longa do diretor Paul Verhoeven (antes já tinha feito por exemplo os elogiados "O Soldado de Laranja" e "Spetters" - se não me engano o Gilmar da lista assistiu este último e pode dar seu pitaco), que depois se bandeou para os States e fez coisas bem legais como "Robocop", "Instinto Selvagem" e "Total Recall" e também algumas cacas como "Showgirls".
A história é basicamente essa: Gerard (Jeroen Krabbé) é um controverso escritor homossexual, católico e alcoólatra. Ao romper brutalmente com seu jovem amante, entra em crise e começa a ter constantes alucinações de ordem mística e ultrajante, referentes ao seu catolicismo. Ao ser convidado para proferir uma palestra em uma pequena estância balneária, acaba sendo seduzido pela cabeleireira Christine (Renée Soutendijk), uma estranha e sensual viúva, suspeita de ter assassinado os três maridos anteriores. Gerard se descobre mergulhado num pesadelo de blasfêmias e ambíguos desejos homoeróticos.
Bem, essa foi uma sinopse adaptada do Reichenbach. O filme é beeeem mais que isso, possui toda uma atmosfera de mistério e sensualidade. Tem um clima estranho, gótico, misturando thriller, drama, comédia. O roteiro é muito original, privilegiando o misterioso passado de Christine e o atribulado presente de Gerard. O erotismo é intenso e as cenas de delírio de Gerard são completamente antológicas.
Assim como o "Basket Case", da semana passada, quem puder me arrumar uma cópia deste filme eu agradeceria muito.
30 junho, 2010
Filmes do Tio Mário:: Basket Case
Hoje, como tô sem criatividade (na verdade paciência) pra escrever, resolvi começar uma nova tag aqui no blog. Filmes do Tio Mário.
A idéia é: na falta de criação minha, copio mesmo. E resolvi compartilhar uma série de e-mails enviados pelo Mário (tem link pro blog dele ali no canto inferior direito, chamado franciscon - MKO) pra uma lista de amigos cinéfilos virtuais (alguns reais) que surgiu ai no yahoogroups depois de uma série de coincidências. Lista essa que gerou amigos mesmo, no real sentido da palavra, embora eu não tenha conhecido a galera pessoalmente, e que me fez conhecer muito mais do que conhecia antes de cinema. O Tio Mário é um dos fundadores da dita lista, e uma das opiniões que mais respeito hoje em dia no assunto. Se não a que mais respeito.
Sem mais delongas, abaixo a cópia do primeiro e-mail da série Filmes do Tio Mário.
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Peço licença para iniciar uma pequena "coluna" semanal sobre alguns filmes que vi (e que poucos de vocês, mais jovens que meus 41, devem ter visto). Vou pautar mais sobre filmes independentes, ou sobre clássicos pouco conhecidos, ou sobre o cinema europeu mais obscuro. Em geral foram assistidos em VHS, televisão, mostras, cineclubes e até em circuito comercial.
O objetivo é divulgar obras pouco conhecidas que acabei assistindo, e não esquecendo (com a ajuda da Internet, fica mais fácil refrescar a memória). Com a facilidade hoje dos torrents, bitorrents, etc. (não entendo nada disso, sou do tempo do projetor de 16 mm, com a película do filme queimando no meio da projeção...), quem sabe os mais ousados se aventurem a procurar na net, ou a garimpar em videolocadoras e nos canais por assinatura, se houver interesse, claro.
Basket Case
O primeiro filme que escolhi é um pequeno clássico da bizarrice universal, Basket Case (Frank Henenlotter, EUA, 1982). Poderia ser até classificado como um "terrir", mas o filme é tão, tão absurdo, que as risadas, no meu caso, saíram bem amarelas.
O clima "gore" é criado a partir do seguinte enredo: um cara chega a um hotel em Nova York povoado por todo o tipo de gente da pior espécie. Ele não se desgruda de uma enorme cesta (que dá o título ao filme) e a leva por toda a parte, enchendo-a de fast food o tempo todo.
Todos ficam intrigados até que vem a explicação: o cara carrega na cesta seu irmão siamês (um troço meio mutante, anãozinho), separado dele por cirurgia, o qual é violento e quer se vingar de qualquer jeito dos médicos que os separaram. Os irmãos acabam se apaixonando pela mesma garota, o que gera situações hilárias.
O filme teve duas seqüências igualmente toscas. Entretanto é extremamente criativo, de orçamento baixíssimo e dispensa efeitos especiais. Talvez tenha sido "eclipsado" pelo lançamento, no mesmo ano, de "Evil Dead" (rsrsrsrsrsrsrs).
Visto na 9a Mostra de Cinema de SP - 1985.
17 maio, 2010
A vida imita o vídeo? Ou: real versus idéia do real...
Esse é Quick topic, acho.
E a partir de uma reflexão antiga, apenas lembrei-me disso agora cedo, olhando a paisagem da sacada numa manhã fria. Sei lá por que...
Enfim, ano passado saiu o novo filme do José Mojica Marins (vulgo Zé do Caixão): Encarnação do Demônio. E esse filme teve uma boa recepção pela crítica tendo vencido pelo menos um festival como melhor filme.
Então, eu não assisti. Mas minha esposa assistiu e disse que ... (sim, era pra ser uma piada com o Silvio Santos). Voltando: eu não assisti, mas conversei com pessoas que assistiram. E não uma, nem duas, mas várias disseram que não entenderam o auê (ó o auê ai, ô) em torno do filme. Que é mal feito, não convence nada, ta na cara que é falso.
Ouvi até gente dizendo que filmes como “O Albergue” são muito mais “reais” ao mostrar as cenas violentas/fortes, ou outros filmes americanos.
Mas o ponto é: O Zé do Caixão usa cenas REAIS. A cena da piscina com baratas era realmente uma piscina com baratas (dizem que parte da equipe técnica nem participou da gravação, com medo). Pra cenas de cortes e ou body-suspension ele chamou masoquistas que realmente faziam aquilo por prazer e daí gravou.
Ou seja: o paradigma que algumas pessoas (pelo menos algumas poucas pessoas que conheço) usam como real, é aquilo que vêm dos filmes norte americanos. Tiros super barulhentos, carros explodindo, etc e tals...
Tudo bem, eu já sabia disso (acho que todos sabíamos):
Que nossa cultura é muito influenciada pela TV/Cinema (nossa inclui eu mesmo, que fique bem claro), mas eu sempre pensei isso do ponto de vista ideológico.
Esse exemplo fez refletir que também do ponto de vista “físico”, palpável (nesse caso: como uma coisa se parece) temos pensado um pouco da maneira que Holllywood nos ensinou.
18 abril, 2010
Don't touch the tar baby
Rebatendo a buzinada da Vivi, pra reanimar os ânimos com a Disney (ou não).
Abaixo segue o link para o vídeo:
Aviso aos fracos: o caminho que segui para chegar a esse assunto é árduo e requer boas doses de falta de escrúpulo e noção do que é nojento ou não.
Finalmente consegui reservar um tempo para ver um filme, no mínimo estranho: Vase de Noces; aqui segue uma breve descrição (em inglês):
The film deals openly, and sometimes graphically, with bestiality, and is informally known as The Pig Fucking Movie. It also features real animal killings and coprophagia
Bom, mas onde está o assunto do post? (Tem a ver com o título)
Isso aconteceu após ver a seguinte frase no wikipedia "is one of the most obscure movies that is not a lost film"; e "Lost Film" tinha um artigo próprio, o qual decidi ler.
Na verdade, só dei uma lida por cima e achei um tal de Song of the South da Disney.
Após ouvir um pouco de Zip-a-Dee-Doo-Dah, resolvi ler sobre a origem da história do coelho. Bom, o Sr. Coelho (Br'er Rabbit) tem origens Africanas e Chrokee.
O que mais me chamou a atenção foram duas coisas:
"Many have suggested that the American incarnation, Br'er Rabbit, represents the enslaved African who uses his wits to overcome circumstances and to exact revenge on his adversaries, representing the white slave-owners. Though not always successful, his efforts made him a folk hero. However, the trickster is a multi-dimensional character. While he can be a hero, his amoral nature and lack of any positive restraint can make him a villain as well. For both Africans and African Americans, the animal trickster represents an extreme form of behavior which people may be forced to emulate in extreme circumstances in order to survive. The trickster is not to be admired in every situation; he is an example of what to do, but also an example of what not to do. The trickster's behavior can be summed up in the common African proverb: "It's trouble that makes the monkey chew on hot peppers." In other words, sometimes people must use extreme measures in extreme circumstances."
E a segunda é que um dos que escreveram suas histórias foi o tio do presidente Roosevelt.
Não quis entrar na demagogia a qual envolve o filme Song of the South, mas só quis lembrar que esses filminhos têm um bom conteúdo por trás da história. Até vou baixar e vê-lo não com os olhos de criança o qual tinha o visto anteriormente, pois uma análise crítica às vezes cai bem ;-)
Outra coisa, minha memória fez me lembrar que as traduções daquela época eram mais condizentes com a história do que atualmente, estou errado?
09 março, 2010
Aliens malvados
Aloha!
Outro dia, ao escrever sobre Moon, comentei também que escreveria de novo ao descobrir outras pérolas do cinema e que não eram muito divulgadas.
A maneira de ter chegado nele foi diferente: ganhei uma promoção da Blockbuster online de 2 meses de locações gratuitas e entregues em casa. Dai pensei "O que me interessa numa Blockbuster?". Resolvi aproveitar que não iria me arrepender do dinheiro gasto e fiz uma experiência. Peguei ficção/terror e ordenei por mais alugados, dai fui pra última página pra ir pegando de trás pra frente.
Bom... é... quer dizer... nesse caso aqui a palavra pérola pode ser um pouco exagerada. Pelo menos pra maioria das pessoas.
Maaaas, se você tiver estômago e bom humor (e uma quedinha por trash), anote ai uma boa dica: Evil Aliens. Pra quem conhece, digamos que lembra muito o divertido Fome Animal, do Peter "Senhor dos Anéis" Jackon.
Tem direito a duas protagonistas gostosas (uma dela com um generoso decote o filme todo), abdução alienígena, empalamentos, arrancada de cabeça com coluna e tudo (no melhor estilo Sub Zero Wins), referências a outros filmes pra alegrar os cinéfilos nerds de plantão, alienígenas bobões correndo de uma colheitadeira gigante, ingleses com seu sotaque zuando o sotaque do País da Gales (o filme é inglês), e muito, muito mais.
No começo (depois de dar risada da primeira cena, ou de ficar chocado pela primeira cena... ou ambos) a impressão que dá é que se está vendo um filme pornô. A "ótima" atuação, as roupas das meninas, e principalmente o estilo da filmagem relembram muito esse gênero. Dá a impressão que eles começarão a ... a... ahhh vocês sabem... a qualquer momento. Mas depois a gente se esquece isso e se envolve na história que rende muito sangue e muita risada. E o roteiro, por incrível que pareça, dentro do universo trash e surreal que faz parte, é até amarradinho. Tipo uma casca de banana que cai num momento vai ter uso lá na frente.
All in all, acho que tô mais empolgado que o necessário devido à grata surpresa, já que não esperava nada.
Claro que no final não é uma obra de arte, mas recomendo.
Outro dia, ao escrever sobre Moon, comentei também que escreveria de novo ao descobrir outras pérolas do cinema e que não eram muito divulgadas.
A maneira de ter chegado nele foi diferente: ganhei uma promoção da Blockbuster online de 2 meses de locações gratuitas e entregues em casa. Dai pensei "O que me interessa numa Blockbuster?". Resolvi aproveitar que não iria me arrepender do dinheiro gasto e fiz uma experiência. Peguei ficção/terror e ordenei por mais alugados, dai fui pra última página pra ir pegando de trás pra frente.
Bom... é... quer dizer... nesse caso aqui a palavra pérola pode ser um pouco exagerada. Pelo menos pra maioria das pessoas.
Maaaas, se você tiver estômago e bom humor (e uma quedinha por trash), anote ai uma boa dica: Evil Aliens. Pra quem conhece, digamos que lembra muito o divertido Fome Animal, do Peter "Senhor dos Anéis" Jackon.
Tem direito a duas protagonistas gostosas (uma dela com um generoso decote o filme todo), abdução alienígena, empalamentos, arrancada de cabeça com coluna e tudo (no melhor estilo Sub Zero Wins), referências a outros filmes pra alegrar os cinéfilos nerds de plantão, alienígenas bobões correndo de uma colheitadeira gigante, ingleses com seu sotaque zuando o sotaque do País da Gales (o filme é inglês), e muito, muito mais.
No começo (depois de dar risada da primeira cena, ou de ficar chocado pela primeira cena... ou ambos) a impressão que dá é que se está vendo um filme pornô. A "ótima" atuação, as roupas das meninas, e principalmente o estilo da filmagem relembram muito esse gênero. Dá a impressão que eles começarão a ... a... ahhh vocês sabem... a qualquer momento. Mas depois a gente se esquece isso e se envolve na história que rende muito sangue e muita risada. E o roteiro, por incrível que pareça, dentro do universo trash e surreal que faz parte, é até amarradinho. Tipo uma casca de banana que cai num momento vai ter uso lá na frente.
All in all, acho que tô mais empolgado que o necessário devido à grata surpresa, já que não esperava nada.
Claro que no final não é uma obra de arte, mas recomendo.
24 janeiro, 2010
Avatar, cinema 3D, Willian Castle & torrents
Avatar
Repensei minhas prioridades e, apesar do preconceito, acabei acatando a sugestão do Rolo e coloquei Avatar na lista dos "a ver". Pensando bem, se for pra ver um filme desse tipo, que seja no cinema e em 3D. Senão nem ia acabar vendo.
O filme? Roteiro fraquinho, mastigado, sem maiores surpresas. Interessante a crítica ao imperialismo e tals, mas achei bem pouco sutil... Achei um pouco forçada a parte natureba. E achei longo, muito longo... Eu cortaria muito do primeiro ato, e aumentaria um pouco o uso dos efeitos na batalha final, parece que foi feita meio às pressas. Ironicamente, bem num filme 3D os personagens são bem unidimensionais, previsíveis, rasos. A Sigourney ainda tem uma certa profundidade, dualidade, sei lá... o protagonista é mto ruim hehhe
Normal, esperava isso dum filme blockbuster.
MAAAAS, a imersão causada pelo 3D especialmente cuidadoso e discreto (nada de facas e mandibulas voando para cima da galera) valeu o ingresso (que foi bem caro, aliás). Tem algumas cenas nas quais você se sente parte do filme, como uma ao final em que vários soldados estão sentados ouvindo o general (ou capitão, sei lá): você sentado no cinema se sente um deles. O universo criado ficou bem bacana, bem alienígena mesmo.
Mais um detalhe: mesmo sendo fã de ficção/terror, não me lembro de muitos filmes que mostrem o ser humano como sendo o alienígena invasor... acho que só lembro de um, o Fantasmas de Marte (2001), do John Carpenter, com seu alien "Marilyn Manson".
O filme? Roteiro fraquinho, mastigado, sem maiores surpresas. Interessante a crítica ao imperialismo e tals, mas achei bem pouco sutil... Achei um pouco forçada a parte natureba. E achei longo, muito longo... Eu cortaria muito do primeiro ato, e aumentaria um pouco o uso dos efeitos na batalha final, parece que foi feita meio às pressas. Ironicamente, bem num filme 3D os personagens são bem unidimensionais, previsíveis, rasos. A Sigourney ainda tem uma certa profundidade, dualidade, sei lá... o protagonista é mto ruim hehhe
Normal, esperava isso dum filme blockbuster.
MAAAAS, a imersão causada pelo 3D especialmente cuidadoso e discreto (nada de facas e mandibulas voando para cima da galera) valeu o ingresso (que foi bem caro, aliás). Tem algumas cenas nas quais você se sente parte do filme, como uma ao final em que vários soldados estão sentados ouvindo o general (ou capitão, sei lá): você sentado no cinema se sente um deles. O universo criado ficou bem bacana, bem alienígena mesmo.
Mais um detalhe: mesmo sendo fã de ficção/terror, não me lembro de muitos filmes que mostrem o ser humano como sendo o alienígena invasor... acho que só lembro de um, o Fantasmas de Marte (2001), do John Carpenter, com seu alien "Marilyn Manson".
Cinema 3D versus torrents
Tava pensando (tinha que ter uma viagem no post, claro)... Será que finalmente recussitaram o 3D pra trazer as pessoas de volta ao cinema na era dos torrents? Se foi, parece que funcionou, a fila de ontem que o diga, dando voltas (e a fila pra sessão das 11, logo depois, não tava diferente). Tô curioso pra ver como o Tim Burtom vai usar esse recurso no seu Alice no País das Maravilhas.. . já gosto do visual dos filmes dele em 2D :).
Será que vão começar a investir em outros valores agregados pra levar as pessoas às salas do cinema? Seria legal...
Será que vão começar a investir em outros valores agregados pra levar as pessoas às salas do cinema? Seria legal...
Um pouco de história
Estava pensando que isso de 3D e tals não é novo, mas não pegou antes. Assisti, por exemplo, o "Freddy's Dead / The Final Nightmare", supostamente o último filme do Freddy Krueger, em 91, em 3D num cinema em Ribeirão Preto. Eu e mais 3 amigos na sala apenas, foi divertido :) Mais além, o video-game master system já tinha óculos 3D
Posso ir mais longe no tempo, me vem à mente o Willian Castle, papa das produções B (que adoro!) nas décadas de 50/60.
Castle notabilizou-se por inventar uma série de truques para atrair espectadores: criou um seguro de vida para promover Macabro (Macabre, 1958); em Força Diabólica (The Tingler, 1959), colocou campainhas debaixo das poltronas, acionadas nos momentos de maior tensão; para A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, 1959) inventou um processo chamado "Emergo", que fazia com que esqueletos de verdade circulassem pela sala de exibição; distribuiu óculos que permitiam aos espectadores ver os fantasmas de 13 Fantasmas (13 Ghosts, 1960); em Trama Diabólica (Homicidal, 1961) colocou um intervalo de quarenta e cinco segundos, para que os mais nervosos pudessem ir embora caso quisessem.
Mestre na arte da promoção, Castle dirigiu dezenas de filmes, desde terror e suspense a westerns e séries policiais, mas, ironicamente, seu momento mais importante foi como o produtor de O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968), dirigido por Roman Polansky.
Enfim, apesar das suas tentativas, não deu certo. Talvez o público não estivesse preparado. Talvez fosse caro fazer essas brincadeiras, sendo que as pessoas iriam no cinema anyway
Tem um filme bacana, Matinee (1993), que faz uma homenagem explícita. através de um dos personagens - Woolsey (John Goodman), ao Willian Castle,
Tenho expectativas de que ações parecidas venham a ser aproveitadas pelas produtoras num futuro próximo... ou não...
Posso ir mais longe no tempo, me vem à mente o Willian Castle, papa das produções B (que adoro!) nas décadas de 50/60.
Castle notabilizou-se por inventar uma série de truques para atrair espectadores: criou um seguro de vida para promover Macabro (Macabre, 1958); em Força Diabólica (The Tingler, 1959), colocou campainhas debaixo das poltronas, acionadas nos momentos de maior tensão; para A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, 1959) inventou um processo chamado "Emergo", que fazia com que esqueletos de verdade circulassem pela sala de exibição; distribuiu óculos que permitiam aos espectadores ver os fantasmas de 13 Fantasmas (13 Ghosts, 1960); em Trama Diabólica (Homicidal, 1961) colocou um intervalo de quarenta e cinco segundos, para que os mais nervosos pudessem ir embora caso quisessem.
Mestre na arte da promoção, Castle dirigiu dezenas de filmes, desde terror e suspense a westerns e séries policiais, mas, ironicamente, seu momento mais importante foi como o produtor de O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968), dirigido por Roman Polansky.
Enfim, apesar das suas tentativas, não deu certo. Talvez o público não estivesse preparado. Talvez fosse caro fazer essas brincadeiras, sendo que as pessoas iriam no cinema anyway
Tem um filme bacana, Matinee (1993), que faz uma homenagem explícita. através de um dos personagens - Woolsey (John Goodman), ao Willian Castle,
Tenho expectativas de que ações parecidas venham a ser aproveitadas pelas produtoras num futuro próximo... ou não...
19 janeiro, 2010
Mercadores de sonhos, na lua!
No final de semana deu vontade de ver ficção científica e, depois de uma pesquisada na “blogsfera” e de uma conversa com o Rolo, cheguei a dois candidatos: “Sleep Dealer” e “Moon”.
Ficção meio Low Budget de um (acho que) mexicano chamado Alex Rivera. Ganhou dois prêmios em Sundance, como bom low-budget que é. Mistura um pouco alguns conceitos de Matrix e acredito que até de Blade Runner, com blogs e redes sociais, mas a idéia central me pareceu fazer uma crítica social através de uma sociedade futura fictícia. Em dado momento um personagem diz que os Sleep Dealers seriam o sonho americano: ter mão de obra barata dos latinos fazendo o trabalho pesado, mas sem precisar da parte ruim que seria ver essas pessoas. Interessante um filme de ficção científica futurística começar mostrando uma região seca e pobre do México, sem nada muito high tech. Sempre acho uma experiência legal ver bons filmes que não sejam estadunidenses. Não tenho nada contra os filmes americanos, que fique claro (são os que mais assisto), mas como justamente é o que mais vejo, é legal sair da rotina vendo algo além, feito em outra cultura, falando outras linguas, essas coisas...
Estréia (de novo, “acho que”, preguiça de fazer buscas na net hoje) do filho do David Bowie no cinema. Também faturou uma estatueta, mas no Festival de Cinema de Edimburgo. Filme de suspense, meio tenso, que mostra um pouco da vida de um funcionário que tem q ficar 3 anos sozinho na lua, apenas acompanhado de serventes computadorizados com os quais se forma uma relação de amizade. Achei muito massa as expressões do robô Gerty serem criadas apenas com “emoticons”, mesmo assim dá pra pegar legal o que ele sente (sente?). Provavelmente a atuação dele é melhor do que a do Seagal hehhe. Aliás, falando em atuação, Sam Rockwell segura legal o filme atuando sozinho (ou não) o tempo todo, tendo apenas a voz do Kevin Spacey como companhia. Mas voltando ao enredo... depois de um tempo, esse personagem acha que não está sozinho. Deve ser imaginação, ou não heheh. A trilha sonora do Clint Mansel (sempre gosto das trilhas dele) é eficiente. Aliás, praticamente não há músicas no filme (digo, uso de músicas de verdade, além da trilha composta para as cenas). Em sendo do filho do Bowie, eu tava com esperanças de ouvir um “Life On Mars”, "Ziggy", ou um “Major Tom”. Pensando bem, talvez isso fosse muito óbvio. Muita referencia a 2001, muita mesmo, e um pouco a Solaris e um pouquinho ao Alien. (<SPOILER ALERT>, não continuem se forem sensíveis a alguém estragar as surpresas). Indiretamente, o filme faz reflexões sobre clonagem humana, direitos de organizações sobre clones criados para determinado fim. Interessante que os clones têm personalidades diferentes (tanto em quanto são "nervozinhos" quanto no lance de desejarem ir pra cidades bem diferentes caso voltem pra terra). Gostei também da brincadeira com o HAL do 2001: enquanto no 2001 você vê uma inteligência artificial se deturpando até se tornar o vilão, aqui você vê uma visão menos pessimista com o Gerty se humanizando e ajudando o protagonista.
Não me arrependi das escolhas, embora tenha preferido Moon, gostei bastante dois dois.
Quando eu for vendo filmes bons que não são anunciados na grande mídia, vou ver se começo a deixar as dicas aqui...
Ficam aqui as duas dicas...
Sleep Dealer
Ficção meio Low Budget de um (acho que) mexicano chamado Alex Rivera. Ganhou dois prêmios em Sundance, como bom low-budget que é. Mistura um pouco alguns conceitos de Matrix e acredito que até de Blade Runner, com blogs e redes sociais, mas a idéia central me pareceu fazer uma crítica social através de uma sociedade futura fictícia. Em dado momento um personagem diz que os Sleep Dealers seriam o sonho americano: ter mão de obra barata dos latinos fazendo o trabalho pesado, mas sem precisar da parte ruim que seria ver essas pessoas. Interessante um filme de ficção científica futurística começar mostrando uma região seca e pobre do México, sem nada muito high tech. Sempre acho uma experiência legal ver bons filmes que não sejam estadunidenses. Não tenho nada contra os filmes americanos, que fique claro (são os que mais assisto), mas como justamente é o que mais vejo, é legal sair da rotina vendo algo além, feito em outra cultura, falando outras linguas, essas coisas...
Moon
Estréia (de novo, “acho que”, preguiça de fazer buscas na net hoje) do filho do David Bowie no cinema. Também faturou uma estatueta, mas no Festival de Cinema de Edimburgo. Filme de suspense, meio tenso, que mostra um pouco da vida de um funcionário que tem q ficar 3 anos sozinho na lua, apenas acompanhado de serventes computadorizados com os quais se forma uma relação de amizade. Achei muito massa as expressões do robô Gerty serem criadas apenas com “emoticons”, mesmo assim dá pra pegar legal o que ele sente (sente?). Provavelmente a atuação dele é melhor do que a do Seagal hehhe. Aliás, falando em atuação, Sam Rockwell segura legal o filme atuando sozinho (ou não) o tempo todo, tendo apenas a voz do Kevin Spacey como companhia. Mas voltando ao enredo... depois de um tempo, esse personagem acha que não está sozinho. Deve ser imaginação, ou não heheh. A trilha sonora do Clint Mansel (sempre gosto das trilhas dele) é eficiente. Aliás, praticamente não há músicas no filme (digo, uso de músicas de verdade, além da trilha composta para as cenas). Em sendo do filho do Bowie, eu tava com esperanças de ouvir um “Life On Mars”, "Ziggy", ou um “Major Tom”. Pensando bem, talvez isso fosse muito óbvio. Muita referencia a 2001, muita mesmo, e um pouco a Solaris e um pouquinho ao Alien. (<SPOILER ALERT>, não continuem se forem sensíveis a alguém estragar as surpresas). Indiretamente, o filme faz reflexões sobre clonagem humana, direitos de organizações sobre clones criados para determinado fim. Interessante que os clones têm personalidades diferentes (tanto em quanto são "nervozinhos" quanto no lance de desejarem ir pra cidades bem diferentes caso voltem pra terra). Gostei também da brincadeira com o HAL do 2001: enquanto no 2001 você vê uma inteligência artificial se deturpando até se tornar o vilão, aqui você vê uma visão menos pessimista com o Gerty se humanizando e ajudando o protagonista.
12 janeiro, 2010
O Massacre da Serra Elétrica e o inconsciente coletivo
Antes de continuar esse texto, me responda o seguinte... tá bom, não me responda, mas pense: "O que você achou do filme O Massacre da Serra Elétrica?""O filme que verão é baseado na tragédia que assolou um grupo de cinco jovens, especialmente Sally Hardesty e seu irmão inválido Franklin. Foi mais trágico devido ao fato de serem jovens. Mas, se eles tivessem vivido muito, muito longas vidas, jamais teriam esperado ou desejado ter visto a loucura e o macabro que viram naquele dia. Para eles, um passeio de carro num verão à tarde tornou-se um pesadelo. Os acontecimentos daquele dia guiaram o descobrimento de um dos mais bizarros crimes nos anais da história norte americana, O Massacre da Serra Elétrica"
Depois vem a genial abertura dos flashs fotográficos... A tela escura provoca arrepios no espectador, que ouve sons estranhos mas nada vê - algo que, quase 30 anos depois, seria usado também "originalmente" em "A Bruxa de Blair" (que também tem em comum ser barato e ter faturado muito). A intensidade vai crescendo, e os sons, até que uma voz de rádio ao fundo fala sobre vandalismos em um cemitério do interior do Texas. Acabou a sutileza: Um cadáver aparece sentado sobre uma lápide, como se Hooper (o diretor, Tobe Hooper, by the way) falasse: "Fudeu, agora começa a viagem direto ao inferno".
Assim começa esse clássico do terror, O Massace da Serra Elétrica (1973).
Mas, talvez se tiver alguém lendo, esteja se perguntando: "cadê o inconsciente coletivo?"
Já chego lá, mas ele reside no seguinte aspecto: assim como outros filmes do período, como o ótimo (e recém regravado) The Last House on the Left (1972), de Wes Craven (que nos brindou depois com Freddy Krueger) e Halloween (1978), de John Carpenter (que nem precisa apresentar), "O Massacre da Serra Elétrica" não se entrega a mortes sem sentido e a sustos banais. Passam-se quase 50 minutos até que a primeira morte ocorra.
Disse o produtor executivo, Brad Fuller:
“A primeira concepção errada do original foi ele ter sido considerado um filme que destilava sangue. O filme tinha momentos bastante perturbadores, mas, só quatro segundos de sangue. Ele era mais aterrorizante, conceitualmente, do que visualmente."
E provavelmente esse aspecto torna esse um grande filme. É claro que tem violência explicita sim, mas são... hmm.. cenas de sangue com alto teor de terror psicológico. E a tal da serra elétrica não aparece até quase o final do filme.
De novo, cadê o inconsciente coletivo?
Pronto, cheguei: um amigo, o Jundiai, apontou outro dia que a maioria das pessoas acredita que já assistiu O Massacre da Serra Elétrica, e acredita que é um filme cheio de sangue e de motosserras cortando pessoas. Tentei tirar a prova e sai perguntando pra conhecidos e colegas de trabalho o que achavam do filme, e é verdade. A grande maioria não gosta, por ter muito sangue e muita gente cortada por motosserras. Dai se continuo apertando, descubro que não assistiram. Tenho até minhas dúvidas de que esse filme tenha alguma vez sido exibido no Brasil (seja cinemas ou TV), alguém sabe?
Mas as pessoas com quem conversei e o modo como falaram me levam a acreditar que foi inconsciente, não foi uma mentira no sentido estrito da palavra. Por algum motivo elas simplesmente acreditavam que tinham visto.
Façam o teste qualquer dia e postem aqui os resultados.
Me pergunto o porquê...
Uma coisa que me veio à mente é que talvez a comédia "Curso de Verão" (Summer School, de 1987) que passou muito na nossa sessão da tarde tenha a ver. Ela mostra dois alunos, Francis “Chainsaw” Gremp e Dave Frazier, viciados em terror, mais especificamente nesse filme, e mostra muito sangue falso criado por esses dois pra assustar os professores.
Ou não, é apenas pelo nome mesmo...
Antes que me esqueça, créditos de boa parte das informações e do texto ao ótimo site Boca do Inferno.
Recomendação: fuja da regravação e das continuações, quase todos os elogios ao modo como foi feito o original se perdem...
O terror e as origens do cinema
Quem me conhece sabe que tenho um carinho especial pelo cinema fantástico e de terror, quem não me conhece acabou de saber disso agora.
De qualquer forma, há alguns anos, durante uma palestra sobre filmes de terror que fiz pra uma turma em aula de inglês, cheguei a uma conclusão. Aliás, essa conclusão foi elaborada durante a apresentação em si e não ao prepará-la, então não estava escrita em nenhum lugar até agora, embora eu a tenha apresentado no dia pra galera da aula.
E essa tal de conclusão é: Ao contrário do que leio normalmente, que coloca o gênero terror como surgido na década de 60 (cópia da Wikipédia abaixo), acho que provavelmente o terror surgiu junto com o cinema, sendo parte da primeira projeção pública.
Senão vejamos... quanto ao gênero de terror:
De qualquer forma, há alguns anos, durante uma palestra sobre filmes de terror que fiz pra uma turma em aula de inglês, cheguei a uma conclusão. Aliás, essa conclusão foi elaborada durante a apresentação em si e não ao prepará-la, então não estava escrita em nenhum lugar até agora, embora eu a tenha apresentado no dia pra galera da aula.
E essa tal de conclusão é: Ao contrário do que leio normalmente, que coloca o gênero terror como surgido na década de 60 (cópia da Wikipédia abaixo), acho que provavelmente o terror surgiu junto com o cinema, sendo parte da primeira projeção pública.
Senão vejamos... quanto ao gênero de terror:
O gênero ficcional do terror ou horror existe em qualquer meio de comunicação em que se pretenda provocar a sensação de medo. Desde a década de 1960 que qualquer obra de ficção com um tema mórbido ou repelente são conhecidos do público como um gênero à parte, com grupos de fãs muito específicos que rendem culto a subgêneros ou a determinados filmes e literatura a eles associada. Este gênero está intimamente ligado à ficção fantástica e à ficção científica. O medo é a fonte dos filmes de terror. Alguns especulam ser um dos sentimentos que mais faz as pessoas se sentirem vivas e livres.
(Wikipédia)
Agora, quanto ao início do cinema:
Auguste Marie Louis Nicholas Lumière (Besançon, 19 de outubro de 1862 — Lyon, 10 de abril de 1954) e Louis Jean Lumière (Besançon, 5 de outubro de 1864 — Bandol, 6 de junho de 1948), os irmãos Lumière, Louis e Auguste eram ambos engenheiros e foram os inventores do cinematógrafo (cinématographe), sendo por isso freqüentemente considerados os fundadores da Sétima Arte junto com Georges Méliès, um ilusionista também francês, este tido como o pai do cinema de ficção. Em 28 de dezembro de 1895 acontece a primeira projeção pública de cinema, e essa tem como grand finale a apresentação do filme “L’Arrivée du Train em Gare”, que mostra um trem vindo no sentido da platéia. Descreve-se que tal foi o susto dos espectadores dessa primeira sessão ao verem um trem vir em direção a eles, que se instalou o pânico. Levantaram-se aos gritos e desviaram-se do caminho, com medo que o trem lhes passasse por cima. (Wikipedia)
Veja bem: se classificarmos o cinema de terror como um cinema no qual o sentimento motivador é o sentimento de terror, de medo (e não como um cinema baseado em monstros e fantasmas), então muito provavelmente esse foi o sentimento despertado na platéia durante a projeção de 1895 (eles fugiram, de pânico), e que causou tanto frisson entre o público.
Note-se também que o terceiro pai do cinema está associado ao ilusionismo e à ficção (gênero esse que anda de mãos dadas com o terror).
É isso :)
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