21 julho, 2010

Filme do Tio Mário: O Espírito da Coméia

Lá vai o Filme do Tio Mário da semana. Quem num sabe o que é um "Filme do Tio Mário", por favor leia a intro desse post.

O Espírito da Colméia
Aproveitando os auspícios da Semana da Criança e ainda sob os eflúvios do nascimento do meu segundo filho, não poderia deixar de citar o meu filme favorito contando com crianças como protagonistas. E olhem que a concorrência é  braba: de "O Garoto" a "Sexto Sentido", passando por "ET", a lista é imensurável. Mas este "O Espírito da Colméia" (Victor Erice, Espanha, 1973) é realmente genial.

Erice é, como J. D. Salinger e Raduan Nassar na literatura, ou Terence Malick e Kubrick (este na segunda fase da carreira) no cinema, um diretor nada prolífico. Em 35 anos, dirigiu apenas 3 longas, mais 3 episódios em filmes multidirigidos.

"O Espírito da Colméia" resumidamente é isso: numa pequena vila na Espanha franquista de 1940, enquanto seu pai estuda o comportamento das abelhas em uma colméia e sua mãe escreve cartas para um destinatário inexistente (ou seja, o ambiente doméstico não era lá grande coisa), Ana e Isabel vão assistir ao Frankenstein, de James Whale (grande clássico do horror com Boris Karloff) em um cinema móvel (tipo circo, mesmo) que visitava a vila. Embora não tenham entendido direito ao filme, as meninas (que devem ter entre 6 e 8 anos) ficam muito impressionadas com a cena em que o monstro dá uma flor a uma menina. Isabel, a irmã mais velha, diz a Ana que o monstro (Frankenstein) efetivamente existe na forma de um espírito que não pode ser visto, a não ser que se conheça o modo correto de se aproximar dele. Ana começa então sua busca pela gentil criatura nos arredores da vila, só que, ao invés dele, encontra um desertor do exército escondido em um celeiro. Ana decide então ajudá-lo, alimentando-o e vestindo-o, julgando que o forasteiro seja de fato o "espírito".

Ana Torrent, que interpreta Ana, depois, ainda criança, fez dois belos filmes com Carlos Saura ("Cria Cuervos" e "Elisa, Vida Minha"). Quando criança, foi uma atriz absolutamente comovente. Recentemente pude assisti-la protagonizando "Thesis - Morte ao Vivo", do Amenabar. Ela até que foi muito bem, mas certas atrizes simplesmente não deveriam crescer...

Um filme maravilhoso, próximo da perfeição, completamente poético e, imagino, dificílimo de encontrar. Visto no Carbono 14, antigo reduto underground de São Paulo, nos anos 80. 

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