22 setembro, 2011

Android Development tool: MOTODEV Studio

This is a different post. In so many ways... 
  • This post is a kind of advertisement, but it is an advertisement of a great product: useful, free, no tricks involved, etc. And this is the product I’m working on! (We are a good team developing it, believe me).    
  • It is technical. Am I a tech guy by profession, but I use to use this blog for other discussions. 
  • It is in English :)

Let’s go! 

Android Development 

If you got here you are interested in AndroidTM development, which is great since Android is a very nice and powerful operating system. 

In fact Android is more than an OS, it is a software stack for mobile devices (may be not so mobile in the future) that includes the operating system, middleware, and key applications. Android also provides you a market that makes it easy for you to distribute and sell your applications.

If you are new to all of it, take a look at these links: 

I have this feeling that so far it was all blablabla for you. After all you already know what Android is, right? 

So what about development?  Off we go. 

First thing you need is to have the Android SDK (software development kit), and to understand the Android basics and architecture. Begin by the Dev Guide. For the development environment, you will probably use Eclipse

Android provides you a set of plugins called ADT that helps you a lot providing the basics for Android development. Here you will see a step by step on how to install the ADT plugins into your existing Eclipse installation to make it Android aware. 

But before going there, take a quick look at the next section. 

MOTODEV Studio for Android

Although Eclipse is great and ADT plugins are great, you can have a more complete and in-a-box experience with MOTODEV Studio for Android. 

It is a IDE (Integrated Development Environment) based on Eclipse, that lets developers who are new to Android get started quickly and helps experienced developers get the job done even faster. 

Some important points about MOTODEV Studio for Android: 
  • It is free! Really. You need to create an MOTODEV account and for that you only need an e-mail. With that account you be able to: download Studio, participate in development forums and some more.  
  • It is for Android development, in general. So, yes, you will be able to create applications for each and every Android device, not only devices from Motorola Mobility, Inc. And your apps are pure Android, no tricks.  
  • It does not compete with Eclipse. And it does not compete with Google ADT. It works together with those, complementing the existing features with some nice stuff. If you install MOTODEV Studio from scratch (not over an existing Eclipse installation) you will be installing Eclipse plus ADT plus some other features that composes MOTODEV Studio for Android. The only difference is that it will happen on a single step.  
  • As it was implicit on the previous bullet, there are some other features and possibilities with Studio. For a new developer it will help you with samples, code snippets, wizards to create most common application components and more. For the experienced ones there are features to help you to test, help you localize your apps, perform static analysis, create apps faster, and more. 

That all said, my suggestion is for you to try it: 

After trying, if you want just appear in the discussion boards for a chat, for questions, suggestions (they will be heard) for help with development… well… you got it. 

To keep updated with the product latest news, check out the blog.



Android and Android Market are trademarks of Google Inc. 
MOTODEV Studio and its documentation are copyrights from MOTOROLA Mobility, Inc.

07 setembro, 2011

Informação fast food

Palavra do dia: "saber".

Vem do verbo latino 'Sapere' que significa entre outras coisas: ter gosto, conhecer através do paladar, sentir prazer ao apreender algo. Mesma origem da palavra "sabor".

Etimologia curiosa numa época de super informação, sempre resumida e digerida, as vezes em 140 caracteres... as vezes me parece que esse tipo de informação instantânea acaba não tendo mais tanto sabor assim... sei lá... preciso de livros. Preciso de discussões críticas, de informações não digeridas.

Se saber é primo de sabor, seria essa a era da 'Informação Fast Food'? As vezes, na pressa do dia-a-dia um fast food vem à calhar, sem dúvidas quanto à isso. 

Mas eu, de minha parte, ainda gosto de um bom slow food (preparado com calma, alma e cheio de sabor), de tempos em tempos.

23 agosto, 2011

“O gene mágico do povo Europeu”, ou, “políticas públicas pra que?”

Nessas últimas semanas, tive algumas discussões em redes sociais e e-mails sobre três assuntos distintos, a saber:

a. mudanças na regulamentação de TV a cabo (um canal nacional obrigatório pra cada n canais internacionais);
b. projeto de lei para criação de ciclovias com dinheiro de multas de trânsito.
c. função e utilidade dos sindicatos.

Antes que os puristas me corrijam, sim simplifiquei muito os itens acima. E fiz isso por querer, minha reflexão aqui não é exatamente sobre nenhum dos itens em si. E que fique claro também que o que vou discutir aqui apareceu na minha cabeça muito superficialmente, quase filosoficamente, não estou dando uma de telepata e afirmando o que a galera pensava nessas discussões.

Essa minha reflexão de hoje é quanto a um determinado tipo de pensamento que me pareceu se repetir muito naquelas discussões. A profusão de opiniões como “se fosse na Europa funcionaria”, “aqui no Brasil não tem jeito, nada vai dar certo”, "Todos estão contra mim"...

Não vou ficar copiando e colando exemplos, mas no geral sinto meio que como se as pessoas esperassem que a "maturidade" (pra usar um termo mais empresarial) apareça assim... do nada. E, mais legal:  pra todos ao mesmo tempo. Enquanto isso não acontecer, beleza, eu continuo aqui não me importando.  Preciso usar um termo em inglês aqui, mas parece que todas as conquistas e fracassos (sejam nossas ou de outros) são “taken for granted”.

O Gene mágico

Fico me perguntando, será que o povo Europeu tem um gene mágico que faz com que eles todos sejam incondicionalmente bonzinhos? E que nós brasileiros não temos o que fazer então?

Pegue-se o caso das bikes. Na Holanda usa-se muita bicicleta? Yes, sir. Mas será que é devido a algo intrínseco da biologia do Holandês? Será que é devido ao clima propício com bastante neve, frio, e chuva pra caralho?

Penso que talvez a criação de car free zones (áreas nos centros das cidades nas quais carro é proibido, não importa o tempo ou quanto dinheiro você tenha ou motivos pra chegar rápido) aliada a uma malha cicloviária muito bem feita com inúmeras regras para os ciclistas (quase que se precisa de um curso pra alugar uma bike lá) e também vias bem cuidadas ligando todo o país tenham algo a ver.

"Eles cuidam da "sujeira" dos seus cachorros"? Será que a multa pra quem não cuida e a fiscalização ferrada sobre animais de estimação (incluindo denuncias de vizinhos) não tem a ver com isso?

"Olha que europeus ecologicamente corretos, levam mochilas pros mercados em vez de sacolas descartáveis." Tá, levam. Mas talvez será que o fato de cobrarem, e caro, pelas sacolas não ajude nesse hábito? "Guardam os carrinhos de volta no supermercado", e o euro que se deixa de reserva ao pegar o carrinho?

"Sindicatos são inúteis, só tomam meu tempo e um dia do meu salário por ano". Será? E se fossemos lá votar direito, brigar pelas nossas propostas (aliás, fazendo propostas coerentes)? Será que não seria melhor que reclamar por ai ao vento? Eu não acho que limite de horas semanais, salário mínimo, CLT, licença maternidade e tantos mais sejam inúteis. Sindicatos tiveram conquistas legais sim. E podem nos ajudar de novo em caso de uma empresa querer nos fuder algum dia (isso ocorre as vezes, sério!).

E acham que os europeus ganharam os direitos trabalhistas deles, que em alguns casos são melhores que os nossos, de graça (ou porque seus governantes são intrinsecamente bonzinhos)? Movimento sindical inglês? Revolução francesa? (perceberam a existência da palavra revolução no termo “revolução francesa”?)? Baderna Levante popular agora recentemente em Londres?

Meu ponto? Claro que tem casos e casos, situações e situações, problemas e problemas. Mas muitas vezes tá parecendo que a gente prefere jogar a culpa pra cima (tadinhos de nós), como se um gene mágico ajudasse alguns países privilegiados.

Políticas públicas

E onde entram as políticas públicas? Em vários desses casos acima, acho que uma boa aplicação de políticas públicas acaba condicionando o hábito que por sua vez depois vira cultura (car free zones, pagamento de sacolas de plástico em mercados, multas por sujeira de cachorro, etc). 

E quando alguma política pública tenta surgir aqui só escuto reclamação. "Querem canais nacionais na minha TV" (tirando meu direito de escolha), "querem ajudar a TV cultura", "querem ajudar famílias pobres", "querem redistribuir renda", "querem um plano que garanta internet na maioria das casas do país, sendo que no sul e sudeste já tá bom". Onde já se viu? Isso só funciona na Europa (já que eles têm genes mágicos). 

Aqui? Uai, deixa que aqui o mercado de auto-regula (afinal todo mundo sabe que o liberalismo econômico tende à justiça no longo prazo, né?). 

Aqui? qualquer lei, política ou decisão vão estar incondicionalmente erradas. Então eu nem preciso ler e opinar uma a uma. Depois escolho meu candidato pela campanha da TV que é bem mais prático.

Quanto às novas regras pra TV, que foi uma das discussões que gerou essa reflexão, minha opinião muito inocente (admito que não li a proposta na íntegra, então
ainda não tenho algo muito forte na cabeça) é de que pode sim ser uma iniciativa interessante. Se vamos ter canais a mais, e se se canais nacionais forem competir com canais internacionais de igual pra igual, os internacionais vão ganhar. Muito mais lucrativo. Na verdade, investimento muito mais certo.

Mas temos produção cultural nacional boa sim (tanto em música, quanto em cinema, quanto em TV... todos impactados por essa decisão). Então talvez seja o caso de alguma política pública ajudar um pouco. Conheço muitos casos, por exemplo, de cidades nas quais uma banda local deve abrir um show de uma banda de fora (é lei municipal em várias cidades brazucas inclusive). No longo prazo isso ajuda bastante as bandas a saírem do limbo. Afinal, os "caras" tem que contratar bandas locais se quiserem um show "de fora".
Protecionismo cultural se vê muito por ai, mesmo (e talvez principalmente) entre os "europeus bonzinhos".

 Será que deixar o mercado regular a TV vai ajudar a produção cultural local? Sério mesmo: acham que os enlatados já prontos não vendem muito mais, num primeiro momento, até que a cultura finalmente se estabeleça? Tenho minhas dúvidas.

Complexo de coitadinho

Se
esse post já tava maluco (dia ruim), agora que minha linha de raciocínio se perde de vez... muita preguiça de tentar passar minha "lógica" (??) para o texto escrito. 

Mas acho que muita gente é um bando de crianças grandes com complexo de coitadinho e acha que o mundo todo é um complô. Cair na real e ter uma visão mais otimista  construtiva vai bem as vezes!

"Aqui" não são mil maravilhas

Claro que não to falando de virar Poliana e aceitar tudo sempre. Tem muito erro, seja onde for. Mas dá pra tentar diferenciar erros de acertos e deixar de pensar que o mundo tá contra mim, usando isso como justificativa pra não fazer nada. 

Não acredito num gene mágico que torne "os outros" bons ou "a gente" ruim, e acredito em batalhar pra melhorar seu ambiente. 

E nem to falando só de países: pense em qualquer instituição ou relação social. Sua casa, seu trabalho. Não precisamos de tanto pessimismo ou torcidas contra. Que tipo de diferença você está fazendo?

31 maio, 2011

Memória e responsabilidade


Uma vez, lá pelos anos de 2001, visitei a linda Polônia e os não tão lindos campos de concentração em Auschwitz. A visita e as lembranças dariam um post de 1000 páginas, então vou ficar só com o que me lembrei ontem ao ler nossos jornais. E o que me lembrei foi da pergunta que me fiz no começo, quanto ao sentido de manter aquele lugar como ponto de visitação. Parte da resposta me foi dada na placa na saída: 


"Aquele que não recorda a História está condenado a vivê-la outra vez"


Ilha Grande


Ao visitar a Ilha Grande, no Rio, e ver os destroços do presídio destruído, aquela plaquinha lá de Auschwitz  fez mais sentido. O presídio foi dinami­tado e demolido em 64. Perdendo assim um importante patrimônio histórico e cultural, pelo menos em certo sentido. Afinal, podemos até esquecer de como a mente humana transformou uma ilha linda (e põe linda nisso) em uma masmorra ditatorial. Lembra um pouco das discussões de Foucault sobre A Prisão.

A ficção


Tem exemplos legais na ficção sobre o uso consciente desse tipo de estratégia, de se esconder a história. Sempre me vêm à cabeça o ótimo livro 1984, do Orwell e sua Thought Police. Mais especificamente essa passagem (que também é conhecida pelos fans do Rage Against The Machine): “Who controls the past controls the future; who controls the present controls the past”. Adoro essa passagem, principalmente na música, ficou animal.


Finalmente, porque pensei nisso lendo as notícias ontem?


Olha o que tava lendo no O Globo:  “BRASÍLIA - Reinaugurado nesta segunda-feira, o chamado Túnel do Tempo do Senado, que retrata os principais fatos da história brasileira desde a proclamação da República em 1889, acabou suprimindo acontecimentos mais recentes como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, aprovado pela Casa em 1992. Embora visivelmente constrangido com a omissão no painel, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou minimizar o fato, argumentando que o impeachament teria sido "um acidente" da história recente.


E olha a resposta do Sarney ao ser questionado: “- Olha, eu não posso censurar os historiadores encarregados de fazer a história. Talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil. Mas não é tão marcante”.


O senado julga o processo de impeachment de um presidente devido a corrupção (em especial ao lance do PC Farias, mas não vem ao caso pra minha presente crítica). O senado condena esse presidente à perda do cargo e a uma inabilitação política de oito anos  (tudo bem, ele saiu de maneira semi honrosa renunciando antes). Acontecimento único na história do Brasil. E quase único em toda a história da humanidade. E... ahh, nem merece estar no túnel do tempo do senado. Afinal, nas palavras do Sarney: foi apenas um acidente e não marcante.


Faço minhas as palavras de Orwell e de Auschwitz , e vou ouvir um Rage Against The Machine básico durante essa manhã:


-  Aquele que não recorda a História está condenado a vivê-la outra vez!


- Who controls the past controls the future; who controls the present controls the past!

28 janeiro, 2011

Agito (ou Egito) BBB 2011


Duas reações diferentes...

Uns dias atrás o ex-namorado de uma(um) atual BBB, ex-homem, ilustre ex-desconhecido(a) e atual conhecida(o), mas provavelmente futura(o) desconhecida(o) anunciou algo sobre essa pessoa. Reação na empresa onde trabalho: euforia, todos querem saber qual foi o anuncio.

Mais recentemente duas ilustres ex-desconhecidas do mesmo BBB se beijam. Reação ao meu redor ao lerem a notícia: sala em polvorosa (s.f. azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço). Pessoas param o que estão fazendo pra ler sobre o fato, olhar pra tela do portador da mensagem.

Tá... vá lá... Num sou nenhum obervador de vidas alheias, muito menos de desconhecidos (atuais, ex, ou futuros), mas tem gente que gosta disso.

Hoje: sai na mídia que o Egito cortou a Internet de sua população. Reação das pessoas ao meu redor: nula. Reação que leio em posts na net, buzz, facebook, etc: "Onde já se viu, se fosse aqui eu ficava louco!", ou então "País de merda que faz uma coisa dessas, têm que se fuder mesmo". 

Tá... vá lá... as vezes as pessoas não conhecem o que tá acontecendo e emitem opinião no calor do momento sem tentar entender mais a fundo. Eu faço isso o tempo todo...

Um pouco depois um colega mostra na tela dele as cenas em tempo real transmitidas pela Al Jazeera, conseguindo transmitir via satélite, mesmo durante o "apagão informacional" do governo. E mesmo enquanto o exército invade o próprio prédio de onde estão transmitindo. Eram cenas de guerra, típicas de filme mesmo. Reação das pessoas: nenhuma. Algumas olham (algumas poucas) e voltam a falar da novela. Ou, quando tecem algum comentário, é na linha do "país de merda, merece mesmo".

Caras, nada contra nenhuma pessoa ou contra interesses dessas pessoas. Cada um cada um, cada qual cada qual. Eu gosto de Buffy rs.

Mas isso me fez divagar e querer postar de novo, e se todos têm direito a se expressar, eu também tenho.

O Egito, e a Internet.

Um governo ditatorial de mais de 30 anos é questionado pelo seu povo. As manifestações são agendadas e organizadas pela Internet. 

Alguns usam a internet pra ver putaria, outros pra fofoca, outros pra cultura, alguns pra flash mobs (como andar de cueca por São Paulo). Os Egipcios resolveram usar pra organizar um movimento de resistência.

Mais do que isso, a Internet acabou sendo um meio para escrever a história enquanto ela ocorre, e do ponto de vista do oprimido e não do opressor. Olhem a wikipedia (até o momento em que escrevi esse post tava lá a página):

Ou seja, muita informação. E até um nome pra data, o "Day of Anger"! E tô falando sobre algo que ainda está acontecendo.

Na mídia "formal"? 

Fizemos questão de ligar a TV agora há pouco, as noticias que aparecem nos textos durante a programação da Globo News são do tipo: "manifestantes queimam carros", "manifestantes queimam prédios", "manifestantes queimam ônibus". Num dão muito destaque (embora tenham sim citado) ao regime, às condições de vida, nem tampouco às pessoas que estão se queimando (isso mesmo: colocando fogo em si mesmas até a morte) em protesto. Também não falam da população receber os manifestantes com alegria, acenando das janelas com bandeiras do Egito.

Voltando à Internet

A wikipedia, os blogs, e a Al Jazeera estão lá, contando a história sob outra perspectiva pra quem quiser ler. A história, olhem que raro, não está sendo re-escrita depois, pelo vencedor, mas está sim sendo escrita sincronicamente por ambos os lados.

Pera ae! O povo tá usando a Internet pra se organizar, e depois ainda por cima pra contar a história? O que o governo faz? Derruba a Internet (em dimensões sem precedentes até hoje), claro. E já aproveita e derruba as redes de celulares também.

Voltando à motivação do post. Qual a reação que vejo de pessoas nos posts a que eu tenho acesso quanto a isso? "Paisinho de merda, tem que se fuder", "Nossa, imagina eu sem minha Internet!".

O que nos chama a atenção.

Futebol chama a atenção. Fofoca chama a atenção.
 
A "história" acontecendo agora? Nãããão, deixa pra lá. Uma estação de TV sendo invadida pelo exército em tempo real? Xiii... é tudo muçulmano, num tem interesse pra mim.
 
Me pergunto: se fossem cristãos, será que chamaria mais a atenção? Se fossem parentes /conterrâneos de um dos Big Brothers, que tivesse comentado no ar sobre o conflito,  talvez? Ou se a globo resolvesse mostrar mais a fundo? 

Ou não, talvez toda essa discussão sobre ditaduras, uso de midias, direitos humanos, mortes, rebeliões, realmente não seja interessante mesmo.

Outra viagem que tive: se a mesma história tivesse sendo contada por um diretor pop, como o Emerich ou o Spielberg, e com toda aquela aura midiática de Hollywood, será que seria minimamente mais interessante do que ver o the real thing acontecendo?

Reality versus Real

Essa última viagem, sobre se o mesmo caso sendo contado por um diretor de Hollywood seria mais chamativo, me leva a outras divagações malucas.

Como disse o Auro, o que é exibido como realidade é tratado com tanta naturalidade que quando o que é real de fato toma parte, é rejeitado com a alcunha de falso, irreal, desinteressante.

Não tem graça ver uma rebelião de verdade, parece até mentirinha.

Me lembrou de umas críticas que ouvi quanto ao último filme do Zé do Caixão, diziam por ai que é "tosco", irreal, mal feito. Mas o filme dele usa cenas reais, no sentido mais estrito da palavra. Ele contrata, por exemplo, masoquistas, pra serem feridos de verdade enquanto ele filma. Mas isso acaba sendo chamado de "mal feito", tosco, irreal. O padrão de realidade parece ser ditado pelos filmes de ficção. 

Será isso uma verdade: "Baudrillard claims that our current society has replaced all reality and meaning with symbols and signs, and that human experience is of a simulation of reality" ??? (http://en.wikipedia.org/wiki/Simulacra_and_Simulation).

O que isso tem a ver com toda a discussão inicial? 

Sei lá, lógica meio não-linear e viajante, mas acho que o resumo seria mais ou menos:
  • Preferimos a ficção en detrimento da realidade?
  • Somos influenciados pela midia de massa ao decidir no que iremos nos interessar?
  • A ficção definiu um novo paradigmna do que seria real?
  • Tá tão calor que eu prefiro ficar escrevendo coisas non-sense na frente do ventilador em relação a deitar na cama e ver um filme?

Auto-crítica

Isso tudo leva a repensar minha relação com algumas coisas. Toda essa crítica se aplica a mim mesmo em várias situações, ver algo "ruim" e considerar normal. Sei lá. Não vou virar nenhum humanitário a partir de hoje, mas repensei algumas coisas.

07 janeiro, 2011

Momento Zé Graça

Nessas férias, assisti a algumas chamadas de novelas, na Globo. O formato é sempre o mesmo, a trama sempre tem um ranço de coisa reaproveitada... resultado dessa reflexão um tanto óbvia, resolvi reaproveitar um lance que eu escrevi sobre novelas, há algum tempo.

Quem sabe não me contratam como auxiliar da Glória Perez? ;)

"Minhas novelas", (originalmente escrito/divulgada em 06/2009):

Enquanto as novelas de Manoel Carlos normalmente se dedicam aos dilemas da classe média carioca, Glória Perez produz textos baseados em uma concepção ousada de geografia e cultura - é quase como uma National Geographic distorcida. A fórmula é conhecida: ciganos (Explode Coração), a Turquia e a clonagem (O Clone), imigração ilegal (América). Agora, a autora aponta para a Índia, com a novela que ganha o prêmio de referência histórica mais infame da televisão brasileira - Caminho das Índias. Nada como culturas exóticas sendo adaptadas para os padrões globais de dramaturgia, né?

Ok, são apenas novelas, e eu não quero fazer uma crítica áspera à produção cultural da televisão brasileira. Pelo contrário, quero fazer uma sugestão à autora... que tal procurar novos lugares e culturas exóticos para serem pasteurizados e avacalhados no horário das oito? Aí vão algumas sugestões para novas novelas:

(entra a narração off típica da Globo)


Vem aí... Ponte da Amizade, a nova novela das oito!

Juan Martinez (Thiago Lacerda) é um jovem paraguaio ambicioso, que herdou de seu tio (Tarcísio Meira) o comércio de cigarros falsificados em Ciudad del Este. Após uma noite de problemas com a Polícia Federal brasileira, ele conhece Pedro Almeida (Fábio Assunção), um brasileiro de Foz de Iguaçu, que está no Paraguai procurando por sua irmã desaparecida, Antonieta (Débora Secco). Ela foi enganada por promessas de vida fácil nos charcos paraguaios, e agora é refém de Pablo (Nuno Leal Maia), um peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá. Juan e Pedro irão se aventurar no submundo paraguaio, procurando a jovem desaparecida, e provando o verdadeiro valor da amizade!

Participação especial de Antônio Fagundes e Stênio Garcia, como Pietro e Biño, dois caminhoneiros paraguaios que se metem em muitas ciladas!

De Glória Perez, Ponte da Amizade, a nova novela das oito!

(sobe a trilha sonora, tocando uma guarânia)

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Vem aí... Guantânamo, a nova novela das oito!

Hussef (Wagner Moura) é um jovem descendente de afegões, condenado injustamente pelo governo americano. Ele consegue escapar de seus algozes norte-americanos com a a ajuda de Concepción (Priscila do BBB, em sua estréia em novelas), uma pobre, mas honrada, trabalhadora cubana das plantações de cana de açúcar. Logo, o pobre americano-afegão descobre o valor da simplicidade e do amor, ao apaixonar-se por Concepción e conhecer seus pais, Carlos (José Mayer) e Maricota (Suzana Vieira) e seus irmãos, Pancho (qualquer ator adolescente da Malhação) e Maria Joaquinha (qualquer atriz mirim da Globo). Tudo parecia ir bem, até que um espião do exército americano, Thomas Suaréz (aquele cara que parece o Tom Hanks) chega à Guantânamo, para caçá-lo!

Participação especial de Carlos César Pereio, como Alejandro Casillas, o ditador cubano, e Cristiane Torloni como Louise Veronica, a corrupta embaixadora brasileira em Cuba.

De Glória Perez, Guantânamo, a nova novela das oito!

(sobe a trilha sonora, tocando uma salsa)


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Vem aí... Sete tons de branco, a nova novela das oito!

Stênio Garcia é Bin... digo, é Nunook, um esquimó Inuit. Último sobrevivente de um desastre ecológico no norte do Alasca, Nunook procura se adaptar à vida dos brancos em Anchorage. Para isso, ele conta com a ajuda de Veronica Fish (Vera Fischer) e Thom Bear (Tony Ramos), dois simpáticos e atrapalhados comerciantes de peixe e traficantes de óleo de baleia, que vivem em pé de guerra. Sua problemática filha adolescente, Moonshine (Marjorie Estiano) é o elo de ligação do simples Nunook com o mundo dos brancos. Ela irá descobrir o amor quando o sobrinho desaparecido de Nunook, o jovem Dunook (Cauã Reymond) reaparece misteriosamente. Mas esta paixão será atrapalhado por Gabriel, o rico estudante de intercâmbio brasileiro (aquele guri que fez o Cazuza), herdeiro da rica família Cavalcante (quaisquer atores que façam papel de ricaços na Globo...).

De Glória Perez, Sete Tons de Branco, a nova novela das oito!

(sobe a trilha sonora, tocando... ah, sei lá...)

07 novembro, 2010

A Banda em Fuga!


Sim, teoricamente, eu escrevo para este blog! O Matheus me incluiu na lista dos autores, mas até hoje eu nunca havia colaborado com nada... até hoje. Não é por acaso que minha primeira contribuição seja uma aventura no campo da crítica de rock; afinal, o jornalismo musical foi meu sonho de consumo, em termos profissionais, durante boa parte da minha adolescência.

O que isso interessa? Não muito. Ainda assim, como gastei uns minutos escrevendo sobre um disco clássico do Paul McCartney, decidi subir o texto pra cá. Então, com vocês, "A Banda em Fuga". ;)


Novembro de 2010. Os beatlemaníacos estão todos eufóricos, com a proximidade dos shows do Paul McCartney no Brasil. Eu estou. Com esse clima de euforia, as reações mais típicas dos fãs, é claro, é a defesa da importância de Sir Paul McCartney (ou, para quem é fã de verdade, me disseram, apenas “Paul”) para a música pop do século XX. Membro de uma das mais conhecidas e influentes bandas de rock de todos os tempos, compositor milionário com sucesso comercial imbatível, recordista disso e daquilo. Para seus detratores, ele é a representação encarnada de tudo que é brega e cafona. Um dinossauro, um velhote que deveria ter se aposentado há tempos.

Acho uma besteira ficar defendendo alguém que realmente não precisa da meu apoio; um atualmente ancião que já entrou para a História antes de ter a idade que eu tenho. Gostando ou não da obra dos Beatles, é preciso reconhecer que antes de fazer trinta anos, McCartney já tinha feito tudo e mais um pouco, ajudando a redefinir o rock e o pop. Portanto, sem mais comentários sobre o homem. A música é o ponto aqui.

Após o término dos Beatles, McCartney lançou alguns singles memoráveis (Maybe I’m Amazed, por exemplo) e alguns discos medianos. Os discos McCartney, de 1970, e Ram, de 71, compreensivamente pairavam em algum lugar entre o som dos Beatles e uma tentativa de encontrar uma identidade musical mais pessoal. Algo estava faltando.

Macca, então, construiu em torno de si uma nova banda, o Wings. Linda McCartney estava ali, convertida de fotógrafa de celebridades em tecladista; Denny Laine, ex-guitarrista do Moody Blues também. Em torno desse núcleo, orbitava uma formação pouco estável de músicos talentosos, mas ainda assim o conjunto todo demorou para atingir a maturidade e identidade suficientes para espantar o fantasma do Fab Four. Mesmo Live and Let Die, rockão da trilha sonora do filme homônimo da série James Bond, ainda contava com a presença do quinto Beatle George Martin na produção.

Band on the Run, disco de 1973, relançado muitas vezes e em versão remasterizada neste ano, marcou a criação de uma identidade sonora e conceitual para a nova banda de McCartney. Musicalmente, é o retrato de um McCartney seguro de sua identidade pós-Beatles. Como todo bom disco de McCartney, tem ótimas canções, apoiadas em um e outro “filler”, meio bobo e descartável. Faixas como Bluebird e Mamunia hoje soam ultrapassadas e ingênuas. Band on the Run, porém, está baseado numa trinca matadora - a faixa-título, Jet e Nineteen Hundred and Eighty Five - que por si só já valem a audição. E ainda assim, vale lembrar, o panorama formado pela conjunto e ordenação das faixas mantém uma vitalidade insuspeita.




Curiosamente, o ápice do Wings surgiu de sua desconstrução. A aura e o apelo de Band on the Run devem muito também aos curiosos detalhes de sua gravação: a banda fugiu, sim! Fugiu de Paul McCartney que excentricamente (e antecipando a febre posterior da world music?) decidiu realizar a gravação em Lagos, na Nigéria. Henry McCullough e Denny Seiwell, guitarrista-solo e baterista, não se animaram com a perspectiva da viagem africana de McCartney e, segundo a lenda, abandonaram a banda no aeroporto. Com isso, restaram Paul, Linda e Denny Laine, em uma viagem exótica para a África, com o engenheiro Geoff Emerick a tiracolo.

Os estúdios da EMI em Lagos eram precários, para dizer o mínimo. Mesas de oito canais apenas e nenhuma adaptação para a gravação dos vocais (McCatrney sempre afirma que teve que instruir a gerência do estúdio sobre o processo de construção de uma vocal booth). Se o clima não era o esperado pelos gringos - eles aportaram na Nigéria em setembro, na estação de chuvas - a recepção dos nigerianos também não foi nada calorosa: McCartney e sua trupe foram assaltados, perdendo fitas com horas e horas de gravação, e ameaçados na base da faca por músicos locais, receosos de que os ingleses fossem plagiar produções locais, sem o devido pagamento de royalties. Sem dúvidas, as circunstâncias desastrosas das gravações concedem ao produto final uma identidade comparável com outras grandes obras do rock: Sgt. Peppers, The Dark Side of the Moon (Pink Floyd), Exile on Main St. (Rolling Stones), ou o inacabado Smile (Beach Boys). Junto com a música, fica uma história.

A influência regional procurada por McCartney, no entanto, aparece apenas levemente, em faixas como Bluebird, Mamunia e Mrs. Vandebilt, carregadas de percussão. O restante do disco é tipicamente inglês, algumas vezes rock’n’roll - Let Me Roll It e No Words - e algumas vezes grandiloqüente e orquestral (destaque para a faixa final, e para as delicadas clarinetas de Picasso’s Last Words) Obviamente, as orquestrações, a cargo do tradicional parceiro de David Bowie, Tony Visconti, foram realizadas posteriormente, com a banda já de volta à Inglaterra.

Também de volta à terra da Rainha, o toque final para a criação de um disco clássico: a capa. Nela, Paul, Linda e Denny aparecem em uniformes de presidiários, iluminados como se estivessem em fuga, acompanhados de um casting de celebridades, como os atores James Coburn e Christopher Lee.

O resultado disso tudo? O disco vendeu como água e garantiu, de uma vez por todas, a identidade dos Wings como sendo não uma cópia dos Beatles, mas a nova empreitada do sabidamente egocêntrico e perfeccionista Paul McCartney. É fato que algumas das canções não envelheceram bem, mas o conjunto da obra compensa: já na abertura, com a dobradinha Band on the Run e Jet, o Wings estabelece uma gramática que segue pelo disco inteiro. Oscilando entre o acústico e percussivo, mas pegando forte nas guitarras e nos sintetizadores, Band on the Run me parece um bom retrato musical de sua época - e, desta maneira, historicamente relevante, mesmo quando ultrapassado.

Além das tradicionais e competentes linhas de baixo e solos de guitarra, McCartney demonstra como nunca sua identidade como baterista: se em Back in the USSR e Dear Prudence ele emulou Ringo Starr, em Band on the Run, os contratempos e viradas, e a ausência da presença normativa de um produtor, revelam um estilo próprio. Por fim, o já conhecido pianista McCartney ressurge com força total na última faixa do disco, Nineteen Hundred and Eighty Five. Nela, num clima proto-disco, McCartney e o Wings afastam-se, definitivamente, da idéia de um substituto incompleto dos Beatles. Band on the Run tinha vida própria.

Nos shows brasileiros do Paul, ainda que a euforia dos fãs talvez seja aplacada apenas com os sucessos dos Beatles, certamente eu vou esperar ansioso por uma, duas ou três músicas de Band on the Run, para alguns críticos (e para este crítico amador) um dos melhores discos daqueles quatro senhores que fizeram parte dos Beatles.

Jet!